Expansão da Febre Catarral Ovina, no Alentejo leva os agricultores do Baixo Alentejo a escrever ao ministro da Agricultura, a manifestar a sua “preocupação” face aos “elevados prejuízos” que o sector pecuário está a sofrer com a progressão acelerada do novo vírus da doença.
Em causa está o aparecimento da nova estirpe da chamada Febre da Língua Azul, o Serotipo 3, cujos primeiros focos surgiram no Alentejo Central, distrito de Évora, nomeadamente nos concelhos de Portel e Viana do Alentejo, que rapidamente se propagou para concelhos limítrofes do Baixo Alentejo e também a Espanha.
A Federação de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) enviou uma carta a José Manuel Fernandes, onde revelam a sua apreensão pelo facto de “em Portugal e apesar da gravidade da situação o Governo não manifestou até ao momento, qualquer intenção de apoiar a produção a suportar estes prejuízos e custos acrescidos”, resumiram.
Miguel Madeira, vice-presidente da ACOS-Agricultores do Sul, revelou ao Lidador Notícias que “estamos perante um problema muito grave”, acrescentando que “com as correntes de vento e as areias vindas do Norte de África, foram arrastados os mosquitos que causa a doença e em setembro foi detetado esta nova variante do vírus que causa uma mortalidade muito elevado”, justificou.
O também criador de ovinos no concelho de Mértola, onde a Língua Azul “já causou graves prejuízos e mortalidade de animais”, sustentando que comparativamente ao ano passado “a taxa de mortalidade aumento mais de 50%”, concluiu.
A doença é de declaração obrigatória e quando confirmada a exploração fica sobre sequestro e impedida de movimentar animais durante 60 dias, “o que leva a que muitos criadores tenham receio de fazer essas notificações, com receio das consequências, e o número de explorações e animais afetados é inferior à realidade”, justificou.
Para Miguel Madeira é essencial que o Governo “altere as leis, sobre a circulação de animais ou avança com compensações. Já existe vacina para esta nova variante do vírus, mas chegou a preços proibitivos, a 3 euros a dose por animal”, rematou.
Na carta enviada ao titular da pasta da agricultura, a FAABA lança o apelo público ao Governo para este mitigar os efeitos desta nova crise sanitária, “ser de elementar justiça, igual tratamento ao dos nossos colegas espanhóis e franceses”, onde as respetivas administrações políticas, tomaram decisões em defesa da ovinicultura e na economia dos territórios.
Teixeira Correia
(jornalista)