Beja: Estudo de competitividade regional revela que o distrito apresenta o pior cenário económico


A situação financeira das empresas do distrito de Beja é a pior do país e as perspetivas para o ano de 2018 ficam muito abaixo da média nacional. Empresários revelam não ter conhecimento acerca da oferta de programas de networking promovidos localmente.

De acordo com a terceira edição do Estudo Nacional de Competitividade Regional, elaborado pela plataforma online Zaask em colaboração com a Universidade Católica Portuguesa, a situação financeira das empresas do distrito de Beja é a pior do país. O valor deste indicador na região é de 2 (numa escala de 1 a 5), enquanto a média nacional se situa nos 2,91.

As perspetivas dos empresários para o ano de 2018 também não são animadoras e pioraram em relação a 2017 (2,75 face a 3,33), colocando o distrito no último lugar a nível nacional, muito abaixo da média nacional que se situa nos 3,27.

Segundo os empreendedores, Beja é o segundo distrito do país onde as receitas das empresas mais diminuíram, apresentando um valor de 2,75, quando a média nacional se fixa em 3,27.

Por outro lado, o acompanhamento do governo local e conhecimento acerca da oferta de programas de formação são dois indicadores que melhoraram substancialmente em comparação com o ano de 2016 (de 0% para 29% e de 1,83 para 2,75, respetivamente).

No que respeita ao aconselhamento na criação de novos negócios, os empresários da região são dos menos otimistas, colocando o distrito em penúltimo lugar (3) e longe da média nacional (3,49).

Aceda ao estudo completo 3º Edição Estudo Nacional de Competitividade Regional_Zaask.

Dados Nacionais

A competitividade no distrito

À semelhança da segunda edição do estudo, a maioria dos empresários portugueses (56%) aconselha a instalação de um novo negócio no seu distrito, embora se tenha registado um decréscimo na ordem dos 10% neste parâmetro (62%). Já quanto ao grau de facilidade no lançamento de um novo negócio, apenas 18% dos empreendedores portugueses perceciona essa tarefa como fácil ou muito fácil, a contrastar com os 38% que afirmam ser difícil ou muito difícil.

Por outro lado, os empresários portugueses continuam a sentir dificuldades na contratação de empregados para o seu negócio. Apenas 17% considera fácil ou muito fácil contratar no seu distrito, um valor que em 2016 se situava nos 21%. Lisboa, Portalegre, Aveiro e Porto destacam-se como sendo os distritos em que existe maior facilidade em contratar, segundo as microempresas.

Apoio do Governo Regional/Local

A maioria dos inquiridos não tem conhecimento da existência de programas de formação para pequenos empreendedores, oferecidos pelo governo regional/local, sendo esse desconhecimento maior em Portugal (74%) do que em Espanha (65%). Os programas de networking promovidos pelos governos regionais/locais são ainda menos conhecidos entre os inquiridos: no total, apenas 14% afirma ter conhecimento dos mesmos (12% em Portugal e 19% em Espanha).

Situação financeira da empresa

No estudo de 2016, relativamente à situação atual da empresa, mais de metade dos empresários nacionais encaravam a sua situação como razoável (59%). Em 2017, o indicador volta a subir ligeiramente (61%). As empresas dos distritos de Beja, Bragança e Coimbra são aquelas que avaliaram a sua situação financeira de forma mais negativa. No que concerne às receitas, 45% dos empresários portugueses refere que estas aumentaram muito ou um pouco nos últimos 12 meses de 2017 face aos 36% verificados em 2016. Uma vez mais, a avaliação dos inquiridos é ligeiramente mais positiva em Portugal do que em Espanha.

Neste sentido, é patente na generalidade da amostra um otimismo em relação ao futuro. Apenas 8% dos empreendedores portugueses perspetivam uma evolução negativa da sua empresa. No polo oposto, são quase dois terços (61%) os que estimam melhorias no desempenho das organizações. Castelo Branco, Setúbal, Açores e Lisboa são os distritos mais otimistas face às perspetivas futuras, enquanto Beja olha para as mesmas com um maior pessimismo.

Situação económica do distrito

Quando questionados sobre a situação económica do distrito a que pertencem, 86% dos empresários portugueses consideram ser razoável, boa ou muito boa. Com base no mesmo indicador, apenas 68% o avaliou desta forma em 2016, o que significa que existiu um aumento de aproximadamente 27%. Leiria e Lisboa são os distritos que registam uma melhor situação económica.

Algumas curiosidades sobre os distritos

Vila Real, Guarda e Bragança são os distritos que os empresários locais mais recomendam para lançar um novo negócio; Guarda e Aveiro são os distritos onde é mais fácil lançar um negócio; Bragança, Açores e Évora são os distritos onde é mais difícil recrutar; Os empreendedores da Guarda são os que sentem uma maior satisfação com a situação da sua empresa e um dos mais otimistas em relação ao futuro; Lisboa bate o Porto na maioria dos indicadores avaliados pelos empreendedores, com exceção apenas no que diz respeito ao lançamento de um novo negócio no distrito, no qual os portuenses se mostram mais favoráveis; As Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores voltam a destacar-se pelo maior conhecimento da existência de ações de formação e de programas de networking, sendo também a Madeira uma das regiões com maior acompanhamento por parte das entidades locais. No extremo oposto, Évora destaca-se como o distrito que menos sente esse acompanhamento e Castelo Branco é o distrito que apresenta uma melhor perspetiva de evolução nos próximos 12 meses e um dos que mais reconhece a existência de programas de networking pelos governos regionais/locais.


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