Setenta e quatro anos de prisão para os onze arguidos, foi a decisão tomada ontem (quarta-feira) pelo Colectivo de Juízes do Tribunal de Beja.
O gang, constituído por seis espanhóis e cinco portugueses, estava acusado de em 12 de Junho de 2013, desembarcou 1.849 quilogramas de haxixe em Vila Nova de Milfontes.
Na leitura do acórdão, a juíza Ana Calçada considerou que para a descoberta da verdade “foi preponderante” o depoimento do arguido Juan Rodriguez que “colaborou” primeiro com a Polícia Judiciária e depois com o Tribunal.
O espanhol, acabou por ver “premiada” a sua conduta saindo com pena suspensa tal como o português Ricardo Costa, apesar de serem ambos condenados a 5 anos de prisão.
O grupo chegou a tribunal acusado de um crime de tráfico de estupefacientes agravado, tendo um dos pressupostos de punição sido dado como “não provado” e que esteve na origem de condenações (ver caixa) mais leves.
Ana Calçada referiu que António Paulete, apontado como o líder do grupo, “foi o elemento preponderante” na montagem da operação, enquanto que os portugueses Nuno Costa e Bruno Mota, foram “a chave” na contratação de outros elementos para a “vigilância” dos locais e o “desembarque” da droga.
A juíza destacou ainda a “elevada ilicitude” do crime, face à grande quantidade de estupefaciente apreendida, e a “operacionalidade e organização” que o grupo revelou.
Estes factores levaram a que dois dos três arguidos que estavam em prisão domiciliária e chegaram acompanhados de familiares, vissem a sua medida alterada para prisão preventiva e tivessem deixado o tribunal rumo à cadeia.
O Colectivo decidiu ainda que revertessem para o Estado, os 1.849 quilos de haxixe, 3 viaturas, 1 embarcação, telemóveis e dinheiro, apreendidos na noite da detenção do grupo.
Segundo apurou o Lidador Notícias (LD), cinco dos arguidos, recolheram ao Estabelecimento Prisional de Lisboa onde se encontram em preventiva, um foi levado para o Reduto Norte de Caxias e os arguidos cuja medida de coação foi alterada para preventiva, ficaram no Estabelecimento Prisional de Beja a aguardar que a pena transite em julgado. Condenado a cinco anos e meio, Márcio viu ser mantida a medida de prisão domiciliária, onde cumprirá a pena.
Ainda na sala de audiências e após a leitura do acórdão, um dos advogados apresentou recurso da pena do seu cliente, que não foi atendido pelo Procurador do Ministério Público e pela juíza.
Caixas
Apontado como o líder da organização a par de Luís Uhia, que não foi detido na operação, foi o arguido com maior punição, 10 anos de prisão.
Residente nos arredores de Madrid, o espanhol, foi a chave do processo ao assumir o papel de “arrependido” e ter contacto os factos á PJ e em tribunal, saiu com pena suspensa.
Condenações
António Paulete- 10 anos
Nuno Costa- 9 anos
Bruno Mota e Mário Fernandes- 8 anos
Alfonso Seisdedos, Jorge Taravillo e Juan Bravo- 6 anos
Márcio Vinagre e Júlio Caro- 5 anos e 6 meses
Juan Rodriguez e Ricardo Costa- 5 anos
Teixeira Correia
(jornalista)




