O casamento de um bombeiro e uma bombeira, em que os colegas regaram o carro do noivo, tornou-se “num desperdício de água”. Comandante da corporação reage com dura à notícia.
“Assumo a total responsabilidade pela situação, pois tenho a plena consciência que a conduta dos bombeiros nada teve de transcendente ou imoral”, foi a reação de Pedro Barahona, comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja (BVB) na redes sociais da corporação.
Em causa está a notícia veiculada na primeira página de um órgão de comunicação social e replicada no seu canal de televisão, tratada a partir de “uma denúncia” suportada por um vídeo em que os companheiros nos noivos regam o seu carro a partir de uma viatura de combate a incêndios.
De uma forma dura e defendendo que com ele trabalha dia-a-dia, Pedro Barahona, foi bastante cáustico: “considero lamentável que se fabrique e alimente uma notícia de um facto tão banal como fazer uma pequena homenagem aos dois noivos bombeiros desta corporação. Tratou-se de uma reação completamente improvisada de uma equipa que se deslocava para almoçar e que, ao cruzar-se com o cortejo decidiu, com minha total anuência, a batizar um casamento de dois camaradas seus, que se deseja feliz e duradouro, numa homenagem sentida e genuína”, justificou.
“Tenho um enorme orgulho de todos os homens e mulheres que trabalham dia-a-dia em prol da comunidade, e sei que esse trabalho é reconhecido pela esmagadora maioria dos cidadãos que humildemente servimos. Fico grato que o casamento destes dois bombeiros da corporação de bombeiros de Beja, se tenha tornado (se bem que pelas razões erradas) no casamento mais badalado do ano, relegando outros para segundo plano”, rematou.
Sem referir qualquer dos problemas que afetam diariamente a corporação, nomeadamente a falta de dinheiro para a reparação das autoescada, cujo orçamento está orçado em 60 mil euros, Pedro Barahona, deixou uma garantia: “cá continuaremos como sempre, desde 1889, a servir e socorrer todos os que de nós precisam, do amado ao intolerante, sem olhar a cores, credos ou ideologias”, concluiu.
Teixeira Correia
(jornalista)