Com o regresso ao Poder na Câmara de Beja, em aliança com o PSD/CDS/IL (Coligação Beja Consegue), a Coligação Democrática Unitária (CDU), votou uma década depois, de forma favorável um Orçamento Municipal e as Grandes Opções do Plano (OM/GOP) da autarquia.
Afastada do Poder na Câmara de Beja desde as Autárquicas de 2017, a CDU voltou a assumir pelouros no Município depois do acordo com o PSD/CDS/IL, permitiu ao vereador a tempo inteiro Vítor Picado, assumir a responsabilidade do Gabinete da Gestão da Mobilidade e as Divisões do Turismo e Património e da Cultura, fazendo com que as duas coligações detenham quatro eleitos contra dois do PS e um do Chega.
O orçamento para 2026 do Município de Beja foi apresentado na reunião extraordinária da passada segunda-feira, tem o valor de 87.000.000 de euros, o maior de sempre da autarquia, que foi aprovado com cinco votos favoráveis, dois do PSD/CDS/IL, dois da CDU e um Chega e duas abstenções do PS.
Mas os “cofres” da edilidade bejense vão ficar mais reforçados, já que segundo Paulo Arsénio, vereador socialista e ex-presidente da câmara, “no final de fevereiro vão juntar-se mais 10 milhões de euros da conta de gerência de 2025”, justificou.
Os documentos vão ser discutidos na sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Beja que se realizará na próxima segunda-feira, dia 26 de janeiro.
A CDU votou favoravelmente o OM/GOP 2026 apresentado por Nuno Palma Ferro, o primeiro presidente de direita da autarquia bejense, regressando a um registo que ocorreu pela última vez em 2016, quando os comunistas lideraram pela última vez o Município, então presidido por João Rocha.
Na declaração de voto, a CDU defendeu o voto a favor do orçamento “face ao acolhimento de várias das nossas propostas, pelo que consideramos ser um orçamento satisfatório”, justificou Evaristo Amaro, tendo os comunistas deixado “cair a bandeira” do combate ao aumento do tarifário da água proposta pela Empresa Municipal de Água e Saneamento (EMAS) de Beja.
Na última reunião de 2025, realizada a 29 de dezembro, a proposta da EMAS foi aprovada pelo Executivo Municipal, com o voto de qualidade do presidente da edilidade e as abstenções dos vereadores do Partido Socialista e Chega e os votos contra dos vereadores da Coligado Democrática Unitária.
No primeiro mandato do socialista Paulo Arsénio, que derrotou João Rocha, os comunistas abstiveram-se nos quatro orçamentos de 2018 a 2021, sempre aprovados com os votos da maioria PS. No segundo mandato, em que o PS não tinha a maioria absoluta no Executivo, os eleitos da CDU, e votaram contra a aprovação dos Orçamentos de 2022, 2023 e 2025 e abstiveram em 2024. No orçamento do ano passado foi necessário recorrer a uma segunda votação, tendo a abstenção do então vereador, agora presidente Nuno Palma Ferro e, com o voto de qualidade de Paulo Arsénio, permitido a aprovação dos documentos.
Historial das Grandes Opções do Plano e Orçamento da Câmara Municipal de Beja
Orçamento 2025- 64.400.000 euros (Minoria PS/ Paulo Arsénio)
(19/02/25): Aprovado- Voto de qualidade do presidente, três votos a favor dos vereadores do Partido Socialista, abstenção do vereador da Coligação Consigo “Beja Consegue” e três votos contra dos vereadores da Coligação Democrática Unitária.
(27/11/24): Reprovado- Quatro votos contra dos vereadores da Coligação Democrática Unitária e Coligação Consigo “Beja Consegue” e três votos a favor dos vereadores do Partido Socialista.
Orçamento 2024- 59.500.000 euros (Minoria PS/ Paulo Arsénio)
(29/11/23): Aprovado- Três votos a favor dos vereadores do Partido Socialista, três abstenção dos vereadores da Coligação Democrática Unitária e um voto contra do vereador da Coligação Consigo “Beja Consegue”.
Orçamento 2023- 62.300.000 euros (Minoria PS/ Paulo Arsénio)
(16/11/22): Aprovado- Voto de qualidade do presidente, três votos a favor dos vereadores do Partido Socialista, a abstenção do vereador da Coligação Consigo “Beja Consegue” e três votos contra dos vereadores da Coligação Democrática Unitária.
Orçamento 2022- 42.860.000 euros (Minoria PS/ Paulo Arsénio)
(12/01/22): Aprovado- Três votos a favor dos vereadores do Partido Socialista e duas abstenções dos vereadores da Coligação Democrática Unitária e uma da Coligação Consigo “Beja Consegue”
Orçamento 2021- 38.938.562 euros (Maioria PS/ Paulo Arsénio)
(18/11/20): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores do Partido Socialista e três abstenções dos vereadores da Coligação Democrática Unitária.
Orçamento 2020- 33.719.900 euros (Maioria PS/ Paulo Arsénio)
(31/10/19): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores do Partido Socialista e três abstenções dos vereadores da Coligação Democrática Unitária.
Orçamento 2019- 33.715.900 euros (Maioria PS/ Paulo Arsénio)
(11/01/18): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores do Partido Socialista e três abstenções dos vereadores da Coligação Democrática Unitária.
Orçamento 2018- 33.842.458 euros (Maioria PS/ Paulo Arsénio)
(11/01/18): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores do Partido Socialista e três abstenções dos vereadores da Coligação Democrática Unitária.
Orçamento 2017- 33.233.944 euros (Maioria CDU/ João Rocha)
(31/10/16): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores da Coligação Democrática Unitária e três abstenções dos vereadores do Partido Socialista
Orçamento 2016- 31.955.820 euros (Maioria CDU/ João Rocha)
(16/11/15): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores da Coligação Democrática Unitária e três abstenções dos vereadores do Partido Socialista
2015- 32.160.000 euros (Maioria CDU/ João Rocha)
(30/10/14): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores da Coligação Democrática Unitária e três votos contra dos vereadores do Partido Socialista
2014- 33.887.600 euros (Maioria CDU/ João Rocha)
(20/12/13): Aprovado- Quatro votos a favor dos vereadores da Coligação Democrática Unitária e três votos contra dos vereadores do Partido Socialista
Teixeira Correia
(jornalista)


