Da vida do campo a Património da UNESCO, o fabrico dos chocalhos é uma arte centenária, que na Ovibeja uma grande dimensão cultural, artística e financeira, além de ser o símbolo que a ACOS-Associação de Agricultores do Sul oferece aos visitantes ilustre do certame.
Classificada em 1 de dezembro de 2015 como Património Cultural Imaterial da UNESCO, com a Necessidade de Salvaguarda Urgente, a arte chocalheira vivem um bom momento para a empresa Chocalhos Pardalinho, uma casa que já celebrou o centenário, sedeada na vila das Alcáçovas, Viana do Alentejo.
A grande expansão começou com José Luís Maia, mais conhecido por “Zé Pardalinho”, hoje com 82 anos e no final de 2025, pensou em viver os seus descansados, estando o seu filho, Guilherme Maia e o seu sócio Francisco Cardoso à frente dos destinos da fábrica, sendo gerentes e trabalhadores.
Apesar do ano passado terem faturado 150 mil euros, há entraves à continuidade da atividade e um deles é a formação de novos chocalheiros. “Para pedir apoio ao IEFP visando formar novos artesãos, estes têm que ter o 12º ano. Quem é que quer ? Ninguém”, revelou ao JN, Guilherme Maia.
Mas o “Pardalinho” filho não gostou do Governo de ter recusado uma proposta para o Orçamento de Estado para baixar o IVA dos chocalhos de 22 para 6 %. “Em outubro de 2022, então em campanha eleitoral, Luís Montenegro visitou a fábrica e prometeu que se fosse Primeiro-ministro procederia a essa redução. O PSD considerou ridícula a redução do Iva dos chocalhos. Não estamos satisfeitos”, disse agastado.
“O nosso chocalho distingue-se pela qualidade do fabrico, o latão e a diferença da afinação. Um criador pode estar a 2/3 quilómetros do rebanho, mas, pelo som do chocalho identifica o rebanho. O chocalho é o GPS de um rebanho”, remata.
Aquando da candidatura a Património da UNESCO “foi assumido um compromisso para que a atividade não morresse, mas até agora não foi feito nada”, lembra Guilherme que essa promoção “tem sido importante porque tem levado muitos turistas à nossa fábrica, são importantes para o negócio e a divulgação da arte”, remata.
Sobre o símbolo que a ACOS oferece aos visitantes VIP, o chocalheiro lembra que desde 1997 a instituição tem sido “um importante parceiro, tanto nas condições para a empresa estar no certame como na aquisição de chocalhos. Este ano adquiriram uma centena”, diz Guilherme Maia.
Face à oscilação de vendas para ovinos e bovinos, apesar do agricultor “ter orgulho do gado estar engalanado com um chocalho”, as inúmeras feiras que existem e que optaram em ter o chocalho para atribuir nos seus concursos, conseguem contrabalançar e aumentar o fabrico do objeto. Municípios como os Ourique, Miranda do Douro, Seia, Vimioso e até a organização da Volta ao Alentejo em Bicicleta, são instituições que têm como símbolo de oferta aos convidados e vencedores das iniciativas.
Teixeira Correia
(jornalista)


