O julgamento dos dois cidadãos espanhóis que foram detidos na noite de 7 de outubro do ano passado no Pomarão, concelho de Mértola, que no interior de um veleiro transportavam 786 quilos de haxixe, e que teve hoje início no Tribunal de Beja, foi anulado por um incidente de recusa suscitado pelo advogado de um dos arguidos face ao tradutor porque discordar da forma como estava a fazer a tradução.
Depois do seu cliente, Francisco Rial, ter confessado os factos que constavam na acusação, o advogado Vítor Parente Ribeiro, colocou em causa a circunstância do tradutor escrever no telemóvel as palavras da presidente do coletivo de juízes e depois traduzir aos dois arguidos, suscitando que “a tradução não era correta”.
O arguido começou por confessar os factos da acusação, incluindo a posse do veleiro, acrescentou, no entanto, que “não vendi droga”, o que levou a juíza a perguntar ao advogado se o cliente confessava a totalidade dos factos ou não, e daí surgiu o incidente com o tradutor.
A posição do causídico foi seguida pela advogada do outro arguido, António Contreras, o que levou a magistrada a questionar o tradutor “se se sentia em condições a continuar com a tradução”, tendo o inidvíduo justificado que “não”. Face a essa posição e porque não havia condições para se conseguir outro profissional que fizesse a tradução a juíza decidiu anular todas as diligências efetuadas durante a sessão de hoje e o novo julgamento foi remarcado para o próximo dia 27.
Vítor Parente Ribeiro, que representa as famílias dos seis alunos da Lusófona que morreram na praia do Meco no dia 15 de dezembro de 2013, ficou agastado com o facto da presidente do coletivo de juízes lhe ter imputado a responsabilidade pela anulação do julgamento face à posição assumida, a magistrada não foi meiga com o advogado: “o senhor doutor suscitou a questão da tradução e já não é a primeira vez que o faz. Como o tradutor entende que não reúne condições para continuar e não tradutores em fila, o julgamento é anulado”, concluiu.
Recorde-se que Francisco Rial, de 56 anos, residente em Villagarcia, Galiza, e António Contreras, de 43 anos, em Madrid, foram detidos no interior do veleiro de pavilhão polaco, mas, em nome do primeiro dos arguidos, onde transportavam 786 quilos de haxixe, que dariam para 1,5 milhões de doses. Ficaram os dois em prisão preventiva.
Teixeira Correia
(jornalista)
Foto: Facebook de Vítor Parente Ribeiro


