A Procuradora do Ministério Público (MP) de Beja, procurou demonstrar na inquirição do inspetor da UNCT-PJ responsável pela investigação, que no seio do grupo de 34 arguidos existia uma associação criminosa, crime pelo qual estão todos acusados.
A audição de Luís Gonçalves, inspetor da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT-PJ), que coordenou a operação levada a cabo em 22 de novembro de 2022, que esteve na base da “Operação Espelho” um ano depois, ficou marcada pelas questões da magistrada visando sustentar o crime de associação criminosa, um dos crimes pelo qual estão acusados os trinta e quatro (34) arguidos, vinte e duas (2) pessoas e doze (12) empresas.
O investigador justificou que através das escutas e das vigilâncias dos inspetores, estas revelaram a existência de uma estrutura organizada e controlada pela arguida Ileana Mezo, tida como a cabecilha do grupo, existindo pessoas, que segundo o investigador, eram responsáveis por dar as ordens aos “homens de mão”.
O responsável pela investigação da “Operação Espelho II” sustentou que a organização ia para além de um clã familiar dos Mezo’s e dos Susca’s, pela forma como as tarefas eram distribuídas e como os trabalhadores eram “trocados” entre as diversas empresas
Questionado pela Procuradora, o inspetor descreveu a atividade de cada um dos arguidos no seio da estrutura, sustentando que havia quem assegurasse o transporte, o controle e tratasse das ações “mais musculadas” perante os trabalhadores.
O inspetor sustentou que os trabalhos executados e faturados eram distribuídos pelas várias empresas para pagar menos impostos, mas que eram todos recebidos por Ileana Mezo.
Luís Gonçalves afirmou que no dia das buscas esteve no terreno a coordenar as diversas equipas envolvidas na operação.
Acórdão da “Operação Espelho I”
No passado dia 15, o Tribunal de Beja condenou nove pessoas a penas de prisão, entre dois anos e nove anos e meio, e três empresas a penas de multas de 200 mil euros cada. Aos condenados, foram aplicadas sete penas de prisão efetivas e duas suspensas. As primeiras punem cinco homens e uma mulher já presos preventivamente, que terão ainda que de pagar ao Estado valores entre 1790 euros e um milhão de euros e às cerca de 50 vítimas indemnizações entre 5000 e 7500 euros. Dos 19 arguidos julgados, foram absolvidas três pessoas e quatro empresas.
Teixeira Correia
(jornalista)


