Moura: Julgamento dos diretores da secção de caça do Clube Mourense (CMACPD).


Perita da Polícia Judiciária coloca ponto final na audição da mais de meia centena de testemunhas. Terça-feira será dia dedicado às alegações finais do Ministério Público e da advogada de defesa.

Com a audição de Susana Rabeca, perita da Polícia Judiciária (PJ) da Diretoria do Sul, em Faro, chegou ontem ao fim, a audição da mais de meia centena de testemunhas do julgamento de nove arguidos, entre os quais seis membros que coordenavam e dirigiam a secção de caça do Clube Mourense de Amadores de Pesca e Caça Desportiva (CMAPCD), acusados dos crimes de abuso de confiança e os restantes três dos crimes de recetação.

A semana iniciou com a audição do antigo presidente do clube, João Boralho, que no final da passada semana o Coletivo de Juízes, presidido pela magistrada Ana Batista, mandou notificar para depor.

Ontem a perita da PJ explicou a forma como analisou as contas da seção de caça entre 2006 e 2010 e como chegou à conclusão de que mais de 147 mil euros não têm suporte documental, a que se juntam mais cerca de 6.500 euros, suportados por documentos de terceiras pessoas, que não do clube.

Susan Rabeca justificou que fez a análises às contas da seção e dos investigados, cheques passados e movimentos em caixas ATM, para efetuar levantamentos e transferências justificando que “muitos dos documentos de suporte são válidos em termos de lei”, considerando-os como “papéis”.

Foram cruzados dados com as declarações de rendimentos apresentados às autoridades tributárias pelos arguidos e as contas destes, justificando que “não há rendimentos compatíveis com os depósitos efetuados”, concluiu.

Da perita disse ainda que existe correspondência “entre os valores depositados em contas dos beneficiários e os movimentos nas contas de seção”.

Quando questionada pelo juiz Vitor Maneta sobre o caminho que o relatório teve dentro da PJ, Susana Rabeca referiu que o mesmo “depois de elaborado foi enviado ao Ministério Público, não tendo sido analisado com/ou pelo responsável do processo”.

O magistrado criticou o facto de, depois de elaborado o relatório, “a PJ não ter ouvido o presidente da Direção do clube (João Borralho) e mais grave o presidente do Conselho Fiscal (Francisco Félix).

Terça-feira serão feitas as alegações finais por parte do Procurador do Ministério Público, António Marcante, que proporá a condenação ou absolvição dos arguidos e da advogada de defesa dos nove arguidos.

Teixeira Correia

(jornalista)


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