Serpa: Jovem de 26 anos gere há 7 anos o site MeteoAlentejo.
Luís Mestre, um jovem serpense é conhecido como o “meteorologista alentejano”. Agricultores e turistas são o público-alvo do site MeteoAlentejo”. Vive o drama do desemprego, mas promove um verdadeiro serviço público.
Nome: Luís Mestre, Idade: 26 anos
Profissão: Desempregado, Naturalidade e Residência: Serpa
Foi há 8 anos que surgiu em Serpa o projeto MeteoAlentejo, que esteve na origem da criação da primeira rede regional de estações meteorológicas. Luís Mestre, o promotor tinha então 18 anos e era um jovem estudante à beira de terminar no 12º ano na área das Ciências e Tecnologias.
Desde 8 de janeiro de 2011, a MeteoAlentejo tem instaladas nove estações meteorológicas, duas em Serpa, no centro da cidade e na Escola Profissional, Beja, Amareleja (Moura), Mértola, Moura, duas em Marvão, uma a 500 e a 800 metros de altitude e em Mourão, sendo que as três últimas foram pagas pelos municípios. Cada estação tem uma web-cam que filma em direto e transmite para o site, fazendo de forma automática, as previsões meteorológicas para três dias.
“Além de disponibilizar informação em tempo real, através do site (http://meteoalentejo.no-ip.biz/) e do facebook (https://www.facebook.com/meteoalentejo/) presto um serviço público de forma gratuita”, diz orgulhosamente Luís Mestre, que vive um momento complicado já que está desempregado.
Tudo começou em 2007, quando o gosto pela meteorologia levou o jovem serpense, de forma empírica, a anotar num caderno os registos da temperatura, os valores da chuva e outros pormenores. Utilizando um vulgar termómetro de mercúrio para medir a temperatura corporal dos humanos, Luís registava “os meus valores” do aquecimento solar em Serpa.
“Como tinha tantos dados pensei que podia ter interesse para as pessoas e comprei uma estação semi-amadora por 100 euros, fazendo no site as previsões do tempo para uma semana”, recorda o alentejano o início do projeto em 2011.
A primeira estação profissional chegou três anos depois, custou cerca de 800 euros e foi comprada através de um financiamento coletivo, o chamado “crowdfunding”, um sistema de obtenção de capital para financiar iniciativas de interesse público, através das redes sociais.
Caso curioso passou-se quando a estação de Mértola que avariou. Conseguiu 50% através do “crowdfunding” e os restantes 50% foram “doados após aprovação por unanimidade, pela Associação de Empresários do Vale do Guadiana”, atira a sorrir.
Em 2014 frequentou uma formação do IPMA, para a criação de um Corpo Nacional de Observadores Meteorológicos Voluntários em Portugal, para relatar em tempo real fenómenos à baixa escala, mas, “a ideia não saiu do papel, o instituto perdeu o contato com dezena e meia de pessoas”, justifica. O IPMA tem no distrito três estações: Beja, Amareleja e Vale do Poço, localidade que une os concelhos de Serpa e Mértola.
Luís Mestre já foi contratado pela Câmara de Serpa para estudar os ventos em Pias e resolver o problema dos fumos dos fornos de carvão que afetavam os moradores. Durante o Verão de 2018, na piscina de Serpa estava instalado um ecrã a dar as temperaturas do momento. Mas o jovem serpense vai mais longe e integra a BlitzOrg, uma rede de equipamentos de descargas elétricas, que regista até 4.000 kms, as trovoadas e a direção que seguem.
Apesar do desemprego e de prestar todas as informações a título gratuito, Luís Mestre não desiste e conta com a ajuda da família e amigos e “para este ano está previsto o alargamento da rede de estações meteorológicas”, remata.
Teixeira Correia
(jornalista)
Nota: O site MeteoAlentejo pode também ser seguido no Lidador Notícias.