O trabalhador da mina de Neves-Corvo, em Castro Verde, que sofreu uma paragem cardiorrespiratória na sexta-feira à noite, num incidente no fundo da mina, acabou por morrer, revelaram a empresa e a GNR.
Segundo o JN, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja disse esta manhã à Lusa que, após o acidente, ocorrido no fundo da mina, o mineiro ainda “foi transportado como ferido grave, em paragem cardiorrespiratória” para o Serviço de Urgência Básica (SUB) do Centro de Saúde de Castro Verde.
Mas, fonte do Comando Territorial de Beja da GNR revelou à Lusa que o homem, de 36 anos, acabou por morrer.
Segundo a Lusa noticiou esta madrugada, citando o CDOS de Beja, um mineiro entrou em paragem cardiorrespiratória após ter sido atropelado por um monta-cargas a 1200 metros de profundidade na mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde.
Na altura, o CDOS também disse que o homem tinha sido transportado para o SUB de Castro Verde.
Em comunicado enviado esta manhã à Lusa, a Somincor, empresa concessionária do complexo mineiro de Neves-Corvo, informou que a vítima mortal era “trabalhador de um empreiteiro”.
E, manifestando pesar pelo sucedido, que qualificou como um “trágico incidente”, a empresa limitou-se a indicar que o mesmo “ocorreu quando o trabalhador operava um equipamento móvel no fundo da mina”.
Questionada pela Lusa sobre os pormenores do incidente e sobre se o trabalhador foi atropelado, fonte da empresa escusou-se a avançar mais informações.
“O incidente [foi] registado ontem à noite [sexta-feira] durante o desenvolvimento da nossa operação na mina de Neves-Corvo”, segundo o comunicado da empresa.
Fonte da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) adiantou também hoje à Lusa que uma equipa da Unidade Local do Litoral e Baixo Alentejo deste organismo, foi enviada para o local “de imediato, ainda na sexta-feira à noite, após conhecimento do acidente de trabalho” e está a “proceder a averiguações.
Os bombeiros tiveram o alerta às 22.56 horas de sexta-feira e a ocorrência mobilizou um total de seis operacionais, apoiados por três veículos, incluindo meios dos bombeiros, GNR e Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Nas redes sociais, António José Brito, presidente da Câmara de Castro Verde, já manifestou o profundo pesar pelo falecimento do jovem natural da vila”, endereçando os sentidos pêsames à família e a tosa a com unidade mineira”.
Filipe Venâncio foi a última vítima a 30 de março
Um trabalhador da Mina de Neves-Corvo, administrada pela Somincor, detida pela multinacional canadiana Lundin Mining Corporation, morreu na madrugada desta quarta-feira, vítima de um acidente de trabalho.
Filipe Venâncio, de 43 anos, Chefe de Turno, natural de Almodôvar, terá sido vítima de uma intoxicação provocada pela acumulação de gases no fundo da mina, após uma explosão de pedra ocorrida no turno anterior.
Nasceu a 10 de outubro de 1978, era casado, tem um filho menor, jogador no clube da sua terra natal, o Clube Desportivo de Almodôvar. Começou como futebolista nas camadas de formação do Sporting Farense em 1994/1995, tendo depois passado pelo Padernense, Desportivo de Beja, A.D.Ceuta (Espanha), Lusitano de Évora, Castrense, Mineiro Aljustrelense e Almodôvar. No domingo anterior à morte marcou o golo do empate da sua equipa frente ao Moura, em jogo do Distrital de Beja da 1ª Divisão, aos 90 minutos.
Um outro o acidente mortal na Mina de Neves-Corvo ocorreu em setembro de 2020, altura em que faleceu um trabalhador de 40 anos.