Odemira: “Agricultores” asiáticos julgados por tráfico de heroína e cocaína.


Odemira tornou-se no “harém” para os traficantes de droga asiáticos. Há presos indivíduos, da Índia, Nepal e Tailândia, presos por tráfico de YABA, heroína e cocaína e que vão ser julgados no Tribunal de Beja.

O indiano Amit Kumar, de 27 anos, e o nepalês Bhupendra Dura, de 26 anos, ambos residentes em São Teotónio, concelho de Odemira, o primeiro preso do Estabelecimento Prisional (EP) do Linhó e o segundo no EP de Beja, são os últimos acusados de tráfico de estupefacientes promovido por cidadãos indostânicos naquele município alentejano durante o ano de 2022.

A crescente detenção de indivíduos com ligação ao tráfico de droga precedentes da Ásia, não é alheia ao número de cidadãos daquele continente, legalmente residentes no Município do rio Mira. Segundo os Censos de 20021, residiam no distrito de Beja 12.827 estrangeiros, 64,85% dos quais, no total de 8.319 pessoas no concelho de Odemira, sendo que a maior comunidade é a asiática com 5.775 cidadãos.

Em 11 de março de 2022, Charin Khokkhunthod, um cidadão tailandês de 41 anos, um pretenso “mariscador”, ter sido detido em São Teotónio, concelho de Odemira, pela GNR na posse 2.830 comprimidos YABA, que naquele país asiático significa “remédio louco”. Cerca de dois meses depois, em 5 de maio desse mesmo ano, foram detidos Amit e Bhupendra, cuja profissão declarada era a de “agricultores”, na posse de heroína e cocaína.

Quando foram detidos em Nave Redonda (Odemira) quando regressava de São Marcos da Serra, concelho de Silves, 30,360 gramas de heroína, que lhes custou 600 euros, 1,210 gramas de pedras de cocaína, suficientes para 85 doses e ainda 50,131 gramas de material de corte (paracetamol e cafeína). Na residência foram-lhes ainda apreendidos 890 euros, uma balança de precisão, telemóveis e diverso material utilizado no tráfico de estupefacientes.

Segundo as operações de vigilância da GNR, descritas nos autos, houve dias em que os militares registaram mais de uma dúzia de visitas em casa dos arguidos por parte de consumidores que adquiriam heroína e cocaína, cabendo a Bhupendra “atender os clientes e receber o dinheiro”, justifica o Ministério Público de Odemira, no despacho de acusação a que o Lidador Notícias teve acesso.

Os dois indivíduos estão acusados de um crime de tráfico de estupefacientes arriscando uma pena entre 4 e 12 anos de prisão estando o julgamento agendado para a próxima quarta-feira, perante um Coletivo de Juízes.

O caso de Charin “o mariscador”

Para além dos 2.830 comprimidos YABA, ao tailandês com residência no Samouco (Montijo), foram ainda confiscados 663,07 euros em numerário, uma arma branca, duas balanças de precisão e uma viatura. Em fevereiro de 2021 o arguido já tinha sido detido na posse de 250 comprimidos de YABA, tendo na altura sido também presente a tribunal ficando em liberdade, mas, sujeito a apresentações periódicas, mas ainda assim continuou com a atividade criminosa.

Em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Beja, o arguido está acusado dos crimes de tráfico e outras atividades ilícitas e de condução de veículo sem habilitação legal, pedindo MP que seja aplicada ao arguido a pena acessória de expulsão território nacional. O julgamento, perante um Coletivo de Juízes, está marcado para o próximo dia 27 de fevereiro também no Tribunal de Beja.

Teixeira Correia

(jornalista)


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