A maior causa da sinistralidade viária em Portugal, envolvendo peões, é por atropelamentos envolvendo veículos automóveis, constituindo-se como um verdadeiro flagelo nacional e a cidade de Beja não foge à regra.
De acordo com dados do Comando Sub-regional da Emergência e Proteção Civil do Baixo Alentejo (CSREPCBA), que abrange 13 dos 14 concelhos do distrito de Beja, a exceção é Odemira, o ano passado registaram-se 41 atropelamentos, 43,9% dos quais na cidade capital de distrito e, todos em passadeiras.
O último ocorreu na noite do passado dia 28 de setembro, na Avenida Comandante Ramiro Correia, em Beja, em que uma mulher de 66 anos morreu depois de ter sido atropelada por um carro, quando atravessava a rua, na passadeira, para regressar a casa. O condutor acusou 2,04 g/l de álcool no sangue e na artéria em causa, a velocidade máxima é de 30km/h, que na esmagadora maioria dos casos não é cumprida.
Os dados a que o JN teve acesso, revelam que na área de intervenção do CSREPCBA, todos os indicadores de atropelamentos aumentaram entre 2024 e 2025, tendo passado de 36 para 41 os casos que envolveram acidentes com peões. Na cidade de Beja, em 2024 ocorreram 14 atropelamentos dos 18 registados no concelho e o ano passado esse número subiu para 18 acidentes envolvendo peões no casco urbano da cidade, e 24 no município.
Há alguns anos numa das ruas de Beja foram colocadas passadeiras desniveladas em pedra, o que reduziu drasticamente a velocidade em toda a extensão da via, situação que é defendida na rua onde ocorreu o último atropelamento mortal. Associado às velocidades excessivas, na Ramiro Correia existe uma escola e recentemente foi inaugurada uma residência de estudantes, o que não sensibiliza os condutores para cumprirem os limites impostas de circulação automóvel.
O assunto foi abordado na reunião do Executivo Municipal de Beja, no passado dia 4 de dezembro, tendo Vítor Picado, o vereador responsável pelo pelouro, referido que iria fazer todos os possíveis “para que as passadeiras desniveladas fossem uma realidade o mais breve possível” justificando que a câmara tem que promover o civismo dos condutores “apesar dos constrangimentos, melhoram bastante o trânsito ao nível da velocidade”, concluiu.
Por seu turno Paulo Arsénio, o anterior presidente da edilidade bejense, referiu que a Câmara Municipal “tem desde abril um projeto pronto que não conseguiu lançar, que não precisando de revisão ou aprovação do Tribunal de Contas, pode ser lançado que o Executivo entender”, rematou.
Teixeira Correia
(jornalista)


