O Ministro da Agricultura e do Mar, que se fez acompanhar da Ministra do Ambiente e Energia a bejense Marra da Graça Carvalho, presidiu na manhã desta quarta-feira à inauguração da 42ª Ovibeja, que vai decorrer até domingo, em Beja, tendo ouvido da parte do presidente da entidade organizadora a ACOS-Associação de Agricultores do Sul, uma série de reivindicações de apoio ao setor.
Rui Garrido abordou o problema da falta de vacinas para combater a Língua Azul, a criação de um verdadeiro seguro de colheitas, a necessidade de apoios para combater o declínio do montado, a construção de pequenas barragens, a antecipação da ligação das bacias do Tejo e do Guadiana e abordou a necessidades das ligações ferroviárias e a conclusão da A26.
No início da sua intervenção o presidente da ACOS começou o criticar o Governo e o ministro justificando que “não foram implementadas medidas de apoio aos criadores/agricultores”, justificando que “é preciso repensar toda a estratégia de combate à doença”, lembrando os milhares de cabeças de ovinos que têm ocorrido.
Sobre os seguros de colheita Rui Garrido apontou a José Manuel Fernandes o caminho para resolver a questão, dizendo que “não precisamos de inventar, basta criar o modelo de Espanha”, justificando que face às perdas do setor “´´e uma situação extraordinária que requer apoios e medidas extraordinárias”, concluiu.
Quanto às águas o agricultor lembrou que a interligação das bacias do Tejo e do Guadiana “é um assunto polémico”, sustentando que “não podemos esperar até 2041. A água de Alqueva não vai dar para todas as necessidades”, concluiu.
O ministro da Agricultura começou a sua intervenção com um forte ataque aos anteriores gestores da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA) dizendo que “dos 110 milhões de que dispunham foi dado quase zero à região”, sustentou.
Sobre as reivindicações defendidas pelo presidente da ACOS, José Manuel Fernandes, sustentou que “só a Espanha e a Alemanha produzem vacinas e primeiro fornecem os seus agricultores e pouco sobra para os outros parceiros”, justificando que o Governo duplicou o apoio para o combate à doença da Língua Azul “passando de 6 para 12 milhões de euros, mas o problema é falta de vacinas no mercado”, sustentando que o problema da sanidade animal se pode tornar numa questão de saúde pública.
Já quanto aos seguros de colheita, o ministro disse que “existe um projeto-piloto para criar um mecanismo europeu de seguros no âmbito das Comunidade Europeia”, concluiu.
A Ovibeja recebe amanhã a habitual reunião de quinta-feira do Conselho de Ministros e o presidente da ACOS, através do titular da pasta da agricultura, deixou um forte recado a Luís Montenegro para que “seja um forte compromisso de apoio à agricultura e a outros projetos da região”, lembrando a necessidade da eletrificação da linha do Alentejo, reabertura do troço da Funcheira, construção da ligação ao aeroporto e a conclusão da A26.
Teixeira Correia
(jornalista)


