Doze condenados, entre pessoas e empresas, por exploração de imigrantes. Tribunal de Beja exige que arguidos paguem ao Estado mais de dois milhões de euros.
O Tribunal de Beja condenou ontem nove pessoas a penas de prisão, entre dois anos e nove anos e meio, e três empresas a penas de multas, de 200 mil euros, num caso relacionado com a exploração de imigrantes que trabalhavam na agricultura em herdades alentejanas.
Um total de 2,05 milhões de euros terá de ser pago ao Estado por seis arguidos deste processo “Espelho I”, conhecido após a grande operação de buscas realizada pela Polícia Judiciária, na zona de Beja, em 23 de novembro de 2023.
Um crime de tráfico de pessoas, um de auxílio à imigração ilegal e um de branqueamento de capitais, todos na forma continuada, e três de posse de arma proibida foram provados. Dos 19 arguidos julgados, foram absolvidas três pessoas e quatro empresas. Aos condenados, foram aplicadas sete penas de prisão efetiva e duas suspensas. As primeiras punem cinco homens e uma mulher já presos preventivamente.
Aqueles condenados terão de pagar ao Estado valores entre 1790 euros e um milhão de euros e às cerca de 50 vítimas indemnizações
entre 5000 e 7500 euros. Entre as empresas levadas a julgamento, três foram condenadas a pagar ao Estado multas de 200 dias, à razão de mil euros por dia. As outras quatro empresas acusadas pelo Ministério Público foram absolvidas.
O “Espelho I” – nome que se explica por ser um processo similar a outro investigado na zona de Beja, mas no qual todos os arguidos foram absolvidos – visou um grupo, sobretudo estrangeiros, que explorou, pelo menos, meia centena trabalhadores agrícolas imigrantes.
Foram condenados oito romenos, um moldavo, um espanhol, uma portuguesa e uma peruana, além das empresas. Contrataram os imigrantes, sobretudo romenos, timorenses e marroquinos, prometendo-lhes boas condições de vida e de trabalho.
Depois, os imigrantes foram alojados em casas sobrelotadas, nalguns casos sem condições de habitabilidade, e trabalhavam nas herdades de sol a sol. Aos seus magros salários eram ainda descontados, pelos arguidos, despesas de alimentação, renda de casa, água e eletricidade. Se os imigrantes reclamavam, os arguidos ameaçavam agredi-los, segundo o processo.
Teixeira Correia
(jornalista)


