Cansada de esperar e a acumular prejuízos diários, a direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Odemira (AHBVO) deu entrada, no passado dia 12 de março, de uma ação judicial no Juízo Central Cível do Tribunal de Beja onde exige uma indemnização de 125.128,24 euros à empresa Monsieur Moteurs, Lda, de Vila Nova de Gaia.
O caso resume-se à aquisição, em abril de 2024, de um motor usado para uma ambulância de transporte múltiplo (ABTM) feito pela corporação alentejana, pelo qual pagou 4.305 euros, mas que até hoje a empresa gaiense não satisfez.
Sediada em Vila nova de Gaia, a empresa importa e comercializa produtos mecânicos vindos, nomeadamente, da Alemanha, Itália e França e a quem foi encomendado o motor para o veículo Mercedes que os bombeiros tinham parado. Para satisfazer a encomenda e a importação da peça mecânica, a AHBVO pagou a referida verba, mas o veículo continua encostado à espera que o “coração” chegue para poder circular.
A ABTM é um veículo destinado ao transporte de um ou mais doentes não urgentes em cadeira-de-rodas e ou em bancos, cuja a situação clínica não impõe previsivelmente a necessidade de cuidados de durante o transporte e no caso dos bombeiros de Odemira muito utilizado em constantes deslocações. A vila fica a 100 quilómetros dos hospitais do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, e de Beja e a 250 quilómetros dos hospitais de Lisboa, unidades hospitalares para onde têm serviços quase diários.
Segundo apurou o Lidador Notícias, apesar dos diversos contactos, a Monsieur Moteurs, Lda, não deu respostas à direção da corporação odemirense e daí que esta tenha partido para a interposição da ação judicial, a fim de ser ressarcida da verba gasta e dos prejuízos acumulados com a paragem do veículo. Para chegar aos mais de 125 mil euros pedidos em tribunal, a instituição foi ao histórico dos serviços feitos pelo veículo em 2022 e 2023 e das verbas conseguidas com essas prestações de serviço.
Contatada a direção da AHBVO, António Camilo, presidente da instituição justificou que “nada termos a declarar acerca desse assunto, a correr no Tribunal de Beja”, concluiu. Foram também colocadas questões à administração da Monsieur Moteurs, Lda, que apesar de ter respondido às mesmas fez questão de vincar do mail que “não autorizamos a publicação desta comunicação”, remataram.
A não existir um acordo extrajudicial entre as partes, o que não se assume como viável, dado o inexistente diálogo entre os representantes das mesmas, o processo seguirá para julgamento no Juízo Central Cível do Tribunal de Beja.
Teixeira Correia
(jornalista)


