“Chegou a casa e disse-me que se tinha cortado na zona do abdómen. Caiu no chão e morreu”, foi a versão que a cidadã moldava, de 41 anos, contou no passado domingo às autoridades sobre a morte do marido, numa habitação na rua do Cotovelo, em Alfundão, concelho de Ferreira do Alentejo.
Porém, na sexta-feira, a mulher foi detida pela Polícia Judiciária de Faro, por ser suspeita de ter assassinado o marido. Foi colocada este sábado em prisão preventiva na cadeia de Odemira.
Aquela versão foi corroborada por outras seis pessoas da mesma nacionalidade que vivem na habitação, todas elas identificadas e interrogadas pelos militares do Núcleo de Investigação Criminal de Aljustrel da GNR e inspetores da Diretoria de Faro da PJ, não tendo sido feitas detenções.
Ontem em Alfundão localidades onde vivem centenas de estrangeiros, de diversas nacionalidades, que trabalham na agricultura, a detenção da mulher ocorrida na sexta-feira, não causou espanto. “Estão por cá há dois ou três anos. Havia discussões entre os dois. É gente que com a ingestão de álcool, arranja conflitos com facilidade. Na aldeia todos dizem que tinha sido a mulher.”, disse um morador da aldeia, que pediu para não ser identificado, acrescentando que “no domingo passada os guardas vasculharam os caixotes do lixo. Não seu se acharam a faca”, concluiu.
Em comunicado emitido na manhã de ontem, a PJ referiu que “o casal já tinha histórico de conflito e agressão, em território nacional e no país de origem”, revelando também que “a vítima foi agredida com um golpe da zona abdominal, com objeto corto perfurante”, provocando-lhe lesões, cuja gravidade determinaram a sua morte, naquele local.
Segundo apurou o Lidador Notícias, a autópsia ao cadáver da vítima ocorreu na quinta-feira no Gabinete Médico Legal de Beja, na presença dos operacionais da polícia, que receberam do médico legista a informação de que a perfuração da faca tinha 27 centímetros.
Os inspetores deslocaram-se de novo a Alfundão, ouviram todos os moradores da habitação, cujas versões foram diferentes das prestadas no dia do crime. As suspeitas sobre a autoria do homicídio recaíram sobre a mulher da vítima, tendo sido solicitada ao Ministério Público (MP) de Ferreira do Alentejo, a emissão de um mandado de detenção fora de flagrante delito.
Os inspetores regressaram na tarde de sexta-feira à aldeia do concelho de Ferreira do Alentejo onde detiveram a mulher, que foi levada ontem a um Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Beja, o juízo de turno, para primeiro interrogatório, e foi-lhe aplicada a medida de coação mais gravosa e está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Odemira.
O corpo do cidadão moldavo ainda se encontra no Gabinete Médico Legal de Beja estando o MP de Ferreira do Alentejo a aguardar a comunicação das causas da morte e resultado da investigação para libertar o corpo a fim do mesmo ser sepultado.
Projeto piloto de atendimento “fecha” tribunal
Para conhecer as medidas de coação aplicadas à mulher, o Lidador Notícias contatou diversas vezes o Tribunal de Beja, mas face a um projeto-piloto de atendimento implementado há dois anos na Comarca, as chamadas esbarram na central telefónica e a gravação revela: “o Tribunal da Judicial Comarca de Beja encontra-se encerrado. O horário de funcionamento, é nos dias úteis das 09h00 às 12h30 e das 13h30 as 16h00”. Ato continuo a chamada é desligada.
Teixeira Correia
(jornalista)


