Segunda-feira, Agosto 3, 2026

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Mértola: Tiago trocou a engenharia pelos gelados artesanais.

“Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior”, é o refrão de uma canção que assenta como luva na vida de Tiago Correia que trocou a engenharia e a capital, por Mértola e pelos gelados Nicolau fabricados de forma artesanal há 66 anos pela família.

Nome: Tiago Correia

Idade: 40 anos (21/07/2026)

Profissão: Gelateiro arsanal

O atropelamento do pai à porta de casa, mudou a vida de três crianças, já que a impossibilidade da mãe, tratar do pai e cuidar dos filhos, levou que estes fossem recebidos em casa de familiares. Tiago, de 6 anos, e o irmão mais novo rumaram a Castro Marim, no Algarve. Mas em Mértola, os tios foram busca-lo ao Algarve e a partir daí começou a lidar com o fabrico dos gelados.

Aos 18 anos, regresso à “Cidade Grande” para estudar e durante 15 anos voltou a viver com Marília, a mãe. Na Faculdade de Ciências tirou a licenciatura em Engenharia da Energia e Ambiente, tendo durante 10 anos trabalhado em empresas do sector. Mas Mértola e os gelados não lhe saiam da cabeça.

Em Lisboa conheceu aquela que é hoje a sua mulher, Ruth, natural de Angola, “juntámos os trapos, viemos para Mértola e aqui começámos uma nova vida ligada aos gelados onde trabalhamos os dois”, revelou Tiago.

Há sete anos na “Vila Museu”, Tiago começou como empregado dos tios, mas há dois anos que é empresário em nome individual e é por ele passa já toda a vida dos Gelados Nicolau, fabricando 20 sabores, em sandes, bolas em cone, taças e sorvete, o chamado gelado de pau. O tio Amândio, com 85 anos e a tia Maria Emília, de 80 anos “continuam as ser os professores e as pessoas que vivem comigo e com a Ruth o dia-a-dia da gelataria. Sabia que o negócio além de rentável era um negócio de família, que vai na terceira geração e que era importante preservar”, diz orgulhoso Tiago.

Depois de José Nicolau Correia ter criado os Gelados Nicolau, foi o filho Amândio que deu seguimento ao negócio e era ver o homem de branco empurrando o carrinho e calcorreando as ruas de Mértola, há 40 anos criou um pregão que ainda hoje é famoso, incluindo nas televisões: “chupe, chupe menina chupe, gelado Nicolai tem o brinde na ponta do pau”.

“Dada a debilidade física do meu tio, este é o primeiro ano que não vai haver venda ambulante, mas até agora o negócio continua muito bem. Continuamos a apostar nas principais feiras e eventos do distrito. Há muita gente que passa por Mértola, que vai à nossa loja para comer um gelado”, revelou.

Quando questionado sobre o futuro, Tiago tem duas ideais para concretizar: “fazer regressar a venda ambulante e abrir uma gelataria com todas as condições para aumentar ainda mais as vendas e o prestígio dos nossos gelados”, revelou ao JN, o homem que se sente feliz e realizado em Mértola.

Amândio Correia, um tio orgulhoso

“O negócio fica muito bem entregue ao Tiago. Ele já sabe tudo da arte dos gelados. Estamos na terceira geração da família e o nome Nicolau vai continuar a dignificar Mértola. Esta semana fui ao Hospital de Beja e toda a gente perguntava: então senhor Amândio trouxe o carrinho com gelados ?. É muito gratificante. Com o meu sobrinho o negócio da família vai continuar em boas mãos”.

Teixeira Correia

(jornalista)

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