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Acessibilidades: Variantes rodoviárias de Beringel e Figueira de Cavaleiros, no IP8, entraram em funcionamento.

Incluídas no projeto original da Autoestrada 26 (A26) entre Sines e Vila Verde de Ficalho, fronteira com Espanha, sem anúncio prévio das Infraestruturas de Portugal (IP) entraram em funcionamento às 21h00 de segunda-feira as variantes de Beringel (Beja) e Figueira de Cavaleiros (Ferreira do Alentejo) integrantes do Itinerário Principal 8 (IP8),

Os dois troços rodoviários fazem parte das obras de beneficiação do IP8, Santa Margarida do Sado, Ferreira do Alentejo e Beja um investimento global de cerca de 64,5 milhões de euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

As obras das duas rodovias, com pouco mais de 2,5 quilómetros cada uma, em perfil de duas vias em cada sentido e restabelecimentos desnivelados, arrancaram em janeiro de 2025 pela IP, e abriram em cima da hora limite da conclusão prevista no âmbito dos prazos do PRR.

As variantes às duas localidades há quase três décadas que eram reivindicadas pelas populações e autarcas locais, para que as mesmas fossem alternativas à passagem tanto por Beringel como por Figueira de Cavaleiros, melhorando a segurança rodoviária e diminuindo os tempos de percurso.

As populações dos concelhos de Beja e Ferreira do Alentejo, não esquecem a decisão do Governo de Pedro Passos Coelho, quando em setembro de 2011, o então secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, reconheceu a suspensão nas obras da Subconcessão do Baixo Alentejo por “dificuldade” de financiamento do consórcio a que o Estado seria “completamente alheio”. Um ano depois as Estradas de Portugal anunciavam a decisão de não construir a autoestrada por ser “um equívoco técnico”, porque “o tráfego previsto não justificava a criação de uma autoestrada”, quando já tinham sido gastos 35 milhões de euros.

Autarcas satisfeitos com novas rodovias, mas, cientes dos impactos.

Vítor Besugo, presidente da Junta de Freguesia de Beringel, referiu ao JN que a obra “chega tarde”, justificando que a população “esperou cerca de 30 anos por esta Variante. Foram décadas a ouvir falar desta necessidade e a reivindicar uma solução para o trânsito que atravessa diariamente a nossa vila. Agora queremos que este investimento não termine aqui e que a A26 possa, no futuro, prosseguir até à fronteira de Vila Verde de Ficalho”, rematou.

Em Figueira de Cavaleiros a principal satisfação é a “retirada do imenso tráfego de camiões que atravessava a aldeia. Menos trânsito é benéfico para a população. Os impactos ao nível económico só daqui a algum tempo podemos analisar com mais profundidade”, resumiu José Baltazar, presente da Junta de Freguesia.

Empresários com dias visões distintas das novas variantes

Em Figueira de Cavaleiros, Carmina Mestre e Luísa Canilhas, há duas décadas que há beira da estrada vendem melões, melancias e tomates de produção própria aos automobilistas que passam pela aldeia, hoje o primeiro cliente foi o jornalista. “Isto vai ser complicado, as pessoas habituam-se à nova estrada e as vendas vão baixar. Esta época está quase terminada e vamos perceber como pode ser o próximo ano, ou mudamos de lugar ou vamos acabar com a venda”, resumiu Carmina.

Naquela que ainda hoje é a Estrada Nacional 121 (EN121) no futuro vai passar a ser mais uma rua da vila de Beringel, para Manuel Inverno, cabo reformado da GNR e há 16 anos dono de um café junto à rodovia “a qualidade de vida vai melhorar muito, porque o martírio dos camiões vai acabar. No tempo do transporte da azeitona e do bagaço era terrível. No café os clientes são da terra e no tempo dos caracóis muitos vêm de Beja, pouco vai mudar para mim”, rematou.

Infraestruturas de Portugal abre variantes sem aviso prévio

O Destacamento de Trânsito do Comando Territorial de Beja da GNR soube segunda-feira meia hora antes que as novas rodovias iam abrir às 21h00, antecipando a abertura oficial fizeram uma vistoria horas antes para saber o que esperava os seus profissionais.

Ao Lidador Notícias os comandantes do Comando Sub-Regional da Proteção Civil, Carlos Pica, e dos Bombeiros de Beja, Pedro Barahona, asseguraram “não ter recebido das Infraestruturas de Portugal qualquer comunicação sobre a abertura dos troços”, situação idêntica foi reportada pelos presidentes das Juntas de Freguesia de Beringel e Figueira de Cavaleiros.

Apesar da abertura das duas variantes, necessária para “cumprir o calendário” de 31 de agosto estabelecido pelo PRR, muitos trabalhadores das empresas subconcessionárias das obras do IP8 continuam no terreno, em particular nos viadutos que atravessam as duas rodovias e que servem populações de outras localidades que anteriormente acediam diretamente à EN121/IP8.

Teixeira Correia

(jornalista)

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