A Empresa de Desenvolvimento de Infraestruturas de Alqueva (EDIA) emitiu comunicado onde refere que “desde as 09:00 horas, Alqueva está a libertar um caudal de descarga inicial de 600 m³/s, que, somado ao caudal turbinado (800 m³/s), perfaz um caudal total lançado de 1 400 m³/s a jusante da infraestrutura”.
Durante a última noite, a barragem de Alqueva recebeu um grande volume de água devido às chuvas intensas, com afluências na ordem dos 3 000 metros cúbicos por segundo.
A gestão controlada dos caudais permitiu reduzir o risco de cheias a jusante, protegendo populações e bens ao longo do rio Guadiana. O episódio demonstra a importância da barragem de Alqueva, enquanto estrutura essencial, também para controlar caudais elevados e garantir maior segurança face a fenómenos meteorológicos extremos.
À semelhança da semana passada, face à persistência de caudais afluentes elevados no Sistema Alqueva–Pedrógão, verificou-se a necessidade de proceder à abertura dos descarregadores de meio-fundo da Barragem de Alqueva. Assim, desde as 09:00 horas, Alqueva está a libertar um caudal de descarga inicial de 600 m³/s, que, somado ao caudal turbinado (800 m³/s), perfaz um caudal total lançado de 1 400 m³/s a jusante da Barragem de Alqueva.
Na Barragem de Pedrógão, o caudal descarregado é de 1 500 m³/s.
Neste contexto, a EDIA recomenda a adoção de comportamentos de precaução nas zonas potencialmente afetadas e solicita a colaboração de todas as entidades e populações ribeirinhas na prevenção de situações de risco.
A EDIA encontra-se a acompanhar permanentemente a evolução da situação, procedendo aos ajustamentos operacionais que se revelem necessários e assegurando a articulação contínua com as entidades competentes.
Enquadramento histórico das descargas em Alqueva
As descargas na Barragem de Alqueva constituem eventos excecionais, acionados apenas em situações de armazenamento muito elevado, quando a gestão por turbinamento não é suficiente para acomodar as afluências registadas.
Historicamente, registaram-se 3 episódios de descargas controladas, designadamente:
2010 (12/01/10)- Pela primeira vez o Nível de Pleno Armazenamento da sua albufeira, 8 anos após o encerramento das comportas.
2011 (03/2011)- Procedeu a descargas controladas pelo segundo ano consecutivo.
2013- Descargas controladas para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento.
2026 (28/01/26)- Descargas controladas para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento.
2026 (02/02/26)- Descargas controladas para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento.
Em 2015 Alqueva encheu na plenitude, não tendo na altura a EDIA feito descargas para o rio Guadiana, desviando a água para a central hidroelétrica para a produção de energia.
Teixeira Correia
(jornalista)


