Na entrada principal do Jardim Público Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em Beja, é a figura histórica e mítica de Gonçalo Mendes da Maia, vulgo “O Lidador”, quem dá as boas vindas a todos aqueles que procuram as histórias e os contos das Palavras Andarilhas.
O evento foi que decorre até domingo, foi inaugurado na tarde desta sexta-feira, perante muitas residentes e visitantes ávidos de poderem participar numa iniciativa marcante da e na cidade alentejana.
No frondoso jardim, foram criadas ainda mais sombras artificiais, tendo o Regimento de Infantaria Nº1, sediado na cidade Pax-Júlia, montado diversas redes camufladas e “inventados” sombras em locais onde o sol e os 40 graus de temperatura, castigam mais.
“Estão abertas as Palavras Andarilhas, como se diz nos Jogos Olímpicos, mas que em Beja são as olimpíadas das histórias e dos contos”, justificou o presidente do Município de Beja, usando uma metáfora desportiva.
Paulo Arsénio sustentou que “este é um evento ímpar ao nível cultural no nosso país, que além do mais é estruturante e diferenciador”, justificando o autarca que “é muita coisa para três dias, mas pouco para uma região sempre carenciada de receber gente de outras regiões”, rematou.
As Palavras Andarilhas são organizadas desde 1998, com a periodicidade bienal após 2002, pelo Município de Beja, através da Biblioteca Municipal José Saramago, que fazendo jus aos 150 anos da sua fundação e à fama que a acompanha, preparou um programa muito diversificado.
Conferências, espetáculos de contos, visitas guiadas, atividades para pais e filhos, mercado de livreiros e mercadinho andarilho, promovidos nos muitos canteiros floridos e de relva do Jardim Público, local onde tudo será de acesso gratuito.
Momentos marcantes na inauguração
O presidente do Município considerou que a 17ª edição das Palavras Andarilhas começaram “num dia triste para Portugal com a perde de cinco militares da GNR, a cujo Comando-Geral já endereçámos as sentidas condolências”, justificou Paulo Arsénio.
A abertura do evento começou com a atuação do refundado Grupo Coral do Estabelecimento Prisional de Beja, que conta com o apoio do município no pagamento das fardas e do ensaiador.
“Cometeram um erro, mas merecem uma segunda oportunidade”, disse um dos espectadores que assistiram à inauguração do evento, depois de ouvir os homens cantar.
Teixeira Correia
(jornalista)