Beja: Turismo “selvagem” em autocaravanas invade Parque da Cidade.
O caravanismo “selvagem” está a invadir nos últimos meses o estacionamento do Parque da Cidade, o “cartão-de-visita” para quem demanda Beja, pela principal entrada na cidade, nomeadamente, quem acede de Lisboa e Évora.
Dezenas de caravanas invadem diariamente o espaço, destinado a estacionamento de veículos ligeiros de passageiros, apesar de na cidade existir um Parque de Campismo. Há no entanto quem faça já do espaço, local definitivo de estacionamento das viaturas de turismo.
Através das redes sociais os caravanistas divulgam o local, colocam as coordenadas e ao final da tarde, turistas portugueses, franceses e holandeses, demanda o estacionamento, ai jantam, passam a noite e na manhã seguinte seguem viagem, sem serem incomodados pelas autoridades.
Há inclusivamente que já faça do estacionamento do Parque da Cidade um local de aparcamento definitivo (segunda foto) até ao início da época de Verão de 2019.
O comando da PSP de Beja defende que “não existe lei que proíba tal estacionamento”, argumentando que “não há sinalização” nas entradas da cidade a indicar o Parque de Campismo, nem a proibir o estacionamento no Parque da Cidade.
Ouvido pelo Lidador Notícias (LN), o presidente da Câmara Municipal de Beja, reconhece “essa falta de sinalização”, garantindo que a mesma vai ser colocada para “disciplinar uma situação que não está correta”, justificando que existe o Parque de Campismo. “Pelos preços praticados não há razão para ficarem fora do Parque de Campismo”, remata. Junto há receção existem as bicicletas PETRA, propriedade do Município, que podem ser utilizadas de forma gratuita pelos utilizadores do Parque.
O autarca perfilha a ideia que o parque necessita de algumas melhorias, Paulo Arsénio divulgou ao LN, que através da Rede de Autocaravanismo do Alentejo, “foi apresentada uma candidatura” ao programa de “Valorização Turismo e Oferta de Autocaravanismo”, no valor de 321.405 euros, com comparticipação elegível, de 224.000, sendo o restante de fundos próprios da autarquia, cujas obras deverão ter início em janeiro do próximo ano.
“Vão ser reparados o muro exterior, os balneários, a receção e construídos, numa 1ª fase, 20 postos para autocaravanas, sendo construídos mais 20 na 2ª fase e criados caminhos pedonais, em alcatrão ou cimento, de acesso às caravanas e tendas”, revelou o autarca.
O LN apurou que os preços/dia na Época Baixa, que vai de 1 de outubro a 30 de abril, são: autocaravana até 5 metros 1,60 euros e uma com tamanho superior 2,25 euros, o peço por pessoa é 1,35 euros, sendo a aquisição de luz, no valor de 2,00 euros, opcional.
Entendimento diferente da PSP tem a GNR já este ano promoveu duas operações de fiscalização de campismo e caravanismo ilegal, para combater a realização de acampamentos fora dos locais apropriados à prática do campismo e caravanismo.
Em maio a GNR de Odemira promoveu uma ação na orla costeira do concelho e elaborou 16 autos de contraordenação, enquanto que a GNR de Grândola fez o ripo de fiscalização na Lagoa de Melides e das 40 viaturas fiscalizadas elaborou 36 autos de contraordenação por acampamento ocasional e estacionamento indevido. Aos infratores incorrem numa coima compreendida entre os 200 e os 2000 euros. O artigo 18.º, do decreto-lei 310/2002, de 18 de dezembro, prevê que “a realização de acampamentos ocasionais fora dos locais adequados à prática de campismo e caravanismo fica sujeita à obtenção de licença da Câmara Municipal”.
TURISTAS NO PARQUE DE CAMPISMO
Frans Dubbelink, 73 anos, e Gerda Schipper, 62 anos (Zenderen/ Holanda).
“Chegámos aqui no início de outubro e vamos ficar mais algum tempo. É a primeira vez que cá estamos e tivemos conhecimento do parque através de uma revista portuguesa sobre campismo. As condições do parque são boas, os balneários é que necessitam de uma intervenção, e os preços são muito convidativos. Sabemos que há gente que tem as autocaravanas e passam 4/ 5meses durante o Inverno. No próximo ano vamos regressar e passar mais tempo”.
Teixeira Correia
(jornalista)