No dia 18 de setembro de 2024, os assaltantes entraram na agência do Banco Santander Totta, em Castro Verde, levando consigo, no interior de uma mochila, a quantia total de 105.297,00 euros (cento e cinco mil, duzentos e noventa e sete euros).
Dois cidadãos brasileiros responsáveis por seis roubos violentos em instituições bancárias, com recurso a arma de fogo e sequestro de funcionários e clientes, ocorridos entre julho de 2023 e abril de 2025, que lhes rendeu mais de 548 mil euros, começam esta quarta-feira a ser julgados no Tribunal de Évora.
Os assaltos ocorreram em Vendas Novas e Alcáçovas (distrito de Évora), Castro Verde (Beja), Águas de Moura (Setúbal), Lourinhã (Lisboa) e Estói, no Algarve, durante o horáriuo de expediente das instituições, exibindo armas obrigavam funcionários e clientes dos bancos a entregarem o dinheiro e a ficarem no local, alguns dos quais amarrados e/ou fechados à chave nos compartimentos dos ATM.
No dia 18 de setembro de 2024, os assaltantes entraram às 11h21, na agência do Banco Santander Totta, em Castro Verde, retiraram do cofre 85.852,00 euros, mais 2.115,00 euros, que se encontravam numa das secretárias (dinheiro de caixa) e mais 17.330,00 euros do cofre da máquina ATM. Os indivíduos abandonaram a agência, pelas 11h56 levando consigo, no interior de uma mochila, a quantia total de 105.297,00 euros (cento e cinco mil, duzentos e noventa e sete euros).
Akelson de Jesus, de 44 anos, está acusado de cinco crimes de roubo, nove crimes de sequestro, trinta e dois crimes de falsificação de documento e uma contraordenação de detenção de arma ilegal. Jhones dos Santos, de 43 anos, em coautoria com o outro arguido, respondem por dois crimes de roubo, um de sequestro e um de branqueamento de capitais, sendo que no caso de Akerlson, a graduação dos crimes é de forma reincidente.
Os dois homens, que ficaram conhecidos como os “Brasukas dos Bancos”, foram detidos em Belas, concelho de Sintra, no dia 8 de abril de 2025, por inspetores Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária (PJ), na posse de 61.355,00 euros, onde faltavam somente 1.155 euros, do valor roubado no dia anterior na Caixa de Crédito Agrícola da Atalaia, na Lourinhã.
Cinco “mulas” que a dupla usou para efetuar dezenas de transferências bancárias para o Brasil, e que no início da investigação foram constituídos arguidos, apesar de receberem entre 50 e 100 euros, cor cada operação, acabaram por não ser acusados, porque o Procurador do Ministério Público (MP) do DIAP de Évora, considerou que aqueles “desconheciam a origem do dinheiro”.
Ambos os arguidos têm um longo cadastro, tendo Akelson de Jesus sido condenado por crimes semelhantes, primeiro em 2012, a 12 anos de prisão, depois em 2019, a 17 anos e 11 meses de prisão, sendo extraditado em 2022 para o Brasil para cumprimento de pena no país de origem. Enquanto Jhones Santos, havia já sido condenado a 12 anos e 6 meses pelo homicídio de um cidadão irlandês no Algarve.
Akelson começou a fazer viagens do Brasil para Portugal para perpetrar os roubos entrando no Espaço Schengen com um passaporte com o nome de outro cidadão brasileiro, mas onde constava a sua fotografia. O roubo à dependência do Caixa de Crédito Agrícola de Alcáçovas, levado a cabo em janeiro de 2024, foi o que maior “pé de meia” rendeu aos assaltantes, tendo sido levados 166.232,00 euros.
Para além das penas de prisão pelos crimes cometidos, o MP pede a condenação dos arguidos a pagarem, a título de perda das vantagens pelos crimes, a quantia total de 486 mil euros, que corresponde à diferença entre o que foi subtraído nos assaltos e o que foi recuperado.
Em prisão preventiva desde o dia 10 de abril de 2025, Akelson encontra-se encarcerado no Estabelecimento Prisional (EP) de Lisboa e Jhones no EP junto da Polícia Judiciária.
Teixeira Correia
(jornalista)


