Terça-feira, Maio 19, 2026

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Fª do Alentejo: Bombeira e funcionários da câmara julgados por tráfico de estupefacientes.

Uma operacional dos bombeiros e dois funcionários da autarquia de Ferreira do Alentejo, estão entre um grupo de quatro arguidos, com idades entre os 31 e os 59 anos, que na manhã de segunda-feira começaram a ser julgados no Tribunal de Beja pelo crime de tráfico de estupefacientes praticado em co-autoria material.

A mulher e outro dos arguidos, com quem vive maritalmente, estão ainda acusados do crime de peculato de uso, por utilização indevida de dois dispositivos “Via Verde”, propriedade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ferreira do Alentejo (AHBVFA), respondendo ainda o homem pelo crime de detenção de arma proibida.

Na sessão da manhã, os três homens assumiram os atos constantes da acusação, justificando que eram “agarrados”, que não era uma estrutura organizada e que “dispensavam” a heroína a uns amigos “a preços mais baixos”. A esmagadora maioria dos nomes dos compradores foi confirmada pelos arguidos, como adquiriam doses a 10 euros. Por seu turno a bombeira remeteu-se ao silêncio.

O grupo foi desmantelado por militares do Núcleo de Investigação Criminal de Aljustrel da GNR na noite de 3 de fevereiro do ano passado, numa operação tripartida e desencadeada às 22,50 horas, quando o casal foi detido em Figueira de Cavaleiros, no concelho de Ferreira do Alentejo, no regresso de Lisboa após uma aquisição de estupefacientes.

Nessa altura, militares do NIC vigiavam as habitações dos dois arguidos mais velhos, de 54 e 59 anos, onde realizaram buscas domiciliárias e fizeram as detenções.

A utilização da “Via Verde” dos bombeiros, visava fugir à vigilância da GNR, mas o facto de uma das viaturas dos bombeiros estar inoperacional no quartel tramou os arguidos.

Na altura todos os arguidos ficaram em liberdade mediante termo de identidade e residências, mas, oito meses depois um dos arguidos, de 54 anos, técnico superior do da autarquia ferreirense, foi de novo apanhado pela GNR quando regressava de Lisboa com heroína e cocaína, tendo sido presente a tribunal e sido decretada a prisão preventiva.

De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público (MP) de Ferreira do Alentejo, no veículo em que o casal viajou para Lisboa e onde foi encontrada heroína, viajavam os dois filhos menores de 1 e 4 anos. Para além da utilização abusiva dos dispositivos de “Via Verde” da AHBVFA, o documento refere também que o funcionário da autarquia, um canalizador, usou um veículo do Município nas atividades ilegais de tráfico.

O MP arrolou trinta e sete testemunhas de acusação, sendo três militares do NIC da GNR e o então 2.º Comandante do Corpo de Bombeiros, os restantes são consumidores a que o quarteto vendia heroína três/quatro vezes por semana.

Teixeira Correia

(jornalista)

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