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Jungeiros/ Aljustrel: Casal raptou e atirou idoso para um poço, depois de roubar 160 euros para a compra de estupefacientes.

Casal que matou octogenário em Jungeiros, concelho de Aljustrel, acusado dos crimes de roubo, sequestro agravado e homicídio qualificado, este último punível com pena de prisão até aos 25 anos.

Eram suspeitos do crime de profanação de cadáver, mas, durante a investigação, esta concluiu que a vítima estava viva quando foi atirada para dentro do poço. O homem está ainda acusado de ser o autor material, na forma dolosa e tentada, de um crime de roubo praticado contra os dois caçadores.

Para roubar 160 euros, um casal agrediu violentamente um octogenário no interior da sua casa, enfiaram-no na mala do próprio carro e depois de vaguearem com a viatura por diversas localidades com o homem trancado na bagageira, atiraram-no ainda vivo para um interior de um poço de rega junto à Estrada Nacional 2, no sentido Ferreira do Alentejo-Ervidel, acabando o idoso por morrer afogado.

Os factos ocorreram entre a tarde do dia 16 de janeiro e a madrugada do dia seguinte, em Jungeiros, concelho de Aljustrel, quando uma mulher que mantinha uma relação de proximidade com a vítima frequentando regularmente a residência deste, onde tomava refeições e de quem recebia, com frequência, quantias monetárias, permitiu a entrada do companheiro, para roubarem e agredirem Aníbal Bogadinho, de 80 anos.

O móbil do crime, segundo o Ministério Público de Ferreira do Alentejo, esteve ligado à necessidade de dinheiro para a aquisição de heroína e cocaína sob a forma fumada, vulgo “crack”, por parte de Francisco Gerardo, vulgo “Chiquinho”, e Vanessa Sabino, ambos de 40 anos, consumidores habituais de produtos estupefacientes.

Sozinhos com a vítima no interior da habitação, o casal exigiu o dinheiro ao octogenário, tendo-o agredido com um objeto metálico de natureza corto-contundente provocando-lhe múltiplas feridas no crânio.

Depois de se apoderarem do dinheiro, enfiaram Aníbal Bogadinho na mala do próprio carro e na madrugada do dia 17 de janeiro, o casal estroncou o cadeado da tampa metálica do poço na EN2, e atiraram o idoso para o seu interior, onde o corpo viria a ser encontrado horas depois já sem vida.

Francisco e Vanessa rumaram a Ferreira do Alentejo e junto ao Centro de Saúde daquela vila viriam a abandonar o veículo roubado ao octogenário. E foi nesta localidade que por volta das 05h30, o suspeito perpetrou uma tentativa de assalto à mão armada, visando dois caçadores que se encontravam no interior de uma viatura, acabando manietado pelas vítimas que chamaram a GNR e deteve o individuo. Aquando da detenção, os militares da GNR de Ferreira do Alentejo não sabiam que o indivíduo era o suspeito do rapto de Aníbal Bogadinho, em Jungeiros, Aljustrel.

Durante a manhã e ao perceber que o companheiro estava preso, a mulher foi ao Posto da GNR daquela localidade e participou que este a tinha obrigado a entrar no carro na companhia do idoso, cujo corpo teria sido atirado a uma barragem, o que não passou uma manobra dilatória.

Inquirido pela PJ, Francisco confessou o crime e indicou às autoridades o local onde o corpo estava, que foi retirado pelos bombeiros de Aljustrel. Posteriormente confessou a participação da companheira que viria a ser detida na manhã do dia seguinte, 18 de janeiro pela coautoria dos crimes, tendo um familiar retirado todos os pertences de Francisco e Vanessa de dentro de casa que pertence à família do suspeito.

Francisco e Vanessa estão acusados, cada um, da prática de três crimes: roubo, sequestro agravado e homicídio qualificado, este último punível com pena de prisão até aos 25 anos. “Chiquinho” está ainda acusado de ser o autor material, na forma dolosa e tentada, de um crime de roubo praticado contra os dois caçadores.

Aquando da apresentação dos arguidos a primeiro interrogatório judicial, foi-lhes imputada a prática de um crime de profanação de cadáver, mas, durante a investigação foi apurado que a vítima foi atirada viva para o poço, o que levou ao arquivamento do crime.

Desde o passado dia 19 de janeiro que os dois arguidos aguardam o julgamento, que irá decorrer no Tribunal de Beja, em prisão preventiva.

Manobra dilatória

Quando esteve na GNR de Ferreira do Alentejo, a mulher disse que o corpo da vítima tinha sido atirado para o interior da barragem do Monte do Pardieiro, localizada naquele concelho, mas tal não correspondia à realidade.

Carro abandonado e vandalizado

A viatura encontrada junto ao Centro de Saúde de Ferreira do Alentejo, com o vidro traseiro partido desconhecendo-se se foi durante a colocação ou retirado do corpo de Aníbal ou se destruído por populares.

Violência doméstica

No dia 6 de janeiro, um Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Ourique, proibiu os contactos e aproximação da mulher, sujeito a controlo através de pulseira eletrónica. Continuaram a viver na casa que partilhavam numa a mulher tendo acionado o botão de pânico.

Teixeira Correia

(jornalista)

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