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Jungeiros/ Aljustrel: “Vanessa demonstrou ter uma personalidade muito manipuladora, calculista e enganadora. Francisco não contou a verdade e a verdadeira participação nos crimes”.

Antes da conclusão do julgamento, Vanessa Sabino disse ao coletivo de juízes que “não estou arrependida, bem pelo contrário e não fiz nada do que me é apontado”, enquanto que Francisco Gerardo afirmou estar “arrependido daquilo que aconteceu e peço uma oportunidade para reabilitação”.

O Procurador do Ministério Público de Beja pediu na manhã desta quarta-feira “uma pena próxima do limite máximo, 25 anos de cadeia, por forma a que se faça justiça, para se sentirem angustiados com a vítima sentiu”, justificou duramente as alegações finais do homicídio do octogenário em Jungeiros, Aljustrel.

Nuno Paixão foi duro com Francisco Gerardo e Vanessa Sabino, ambos de 40 anos, afirmando que “de mesma maneira que atiraram o Aníbal para o fundo do poço, devem ser atirados para a cadeia para o resto da vida”, sustentando que os arguidos agiram “com frieza, uma crueldade extraordinária e revelando desprezo pela vida humana”, concluiu. O magistrado disse ainda que “imaginei por segundos o que terá sentido a vítima quando viu fecharem-lhe a tampa do poço”, rematou.

Sobre a participação dos dois arguidos na morte de Aníbal Bogadinho, de 80 anos, o Procurador sustentou que “este foi morto às mãos do casal, que aligeiraram responsabilidades, acusando-se um ao outro. Os golpes na nuca deixam perceber que foram desferidos por pessoas que não levantavam suspeitas à vítima”, concluiu.

“A Vanessa demonstrou ter uma personalidade muito manipuladora, calculista e enganadora. Nas suas declarações tapou a cabeça e destapou os pés. Francisco não contou a verdade e a verdadeira participação nos crimes, desculpabilizando-se com a ex-companheira”, sustentou o magistrado

Numa explanação muito curta, Rita Moleiro, advogada de Vanessa, defendeu a absolvição da sua cliente justificando que “não sabemos qual das duas versões será verdade, havendo falta de provas sobre quem praticou os factos em julgamento”, disse.

Por seu turno a defensora de Francisco, Margarida Costa considerou que “não se pode desvalorizar a morte do senhor Aníbal, mas, a versão dos factos apresenta contradições e qual foi a completa intervenção de cada um”, acrescentando que para a “avaliação da pena deve ser ponderado o facto de ter sido apanhado num plano da arguida em que a sua ascendência foi decisiva para o cometimento do crime”, argumentando que o tribunal deve ter em conta a dependência das drogas do arguido e a sua reinserção.

Os factos ocorreram entre a tarde do dia 16 de janeiro e a madrugada do dia seguinte, em Jungeiros, concelho de Aljustrel, quando Francisco e Vanessa agrediram Aníbal Bogadinho na sua casa, enfiaram-na mala do próprio carro e depois atiraram-no ainda vivo para dentro de um poço, na EN 2, próximo de Ervidel, ainda no mesmo município. Francisco e Vanessa estão acusados dos crimes de roubo, sequestro agravado e homicídio qualificado.

Recorde-se que na manhã de terça-feira, o mesmo Procurador do Ministério Público, também no Tribunal de Beja, pediu a condenação de Francisco Gerardo a uma pena efetiva de três anos de prisão pelo crime de roubo de dois caçadores, em Ferreira do Alentejo, em janeiro. Este crime foi cometido quando o arguido e a namorada fugiam de Aljustrel, onde tinham assassinado o idoso. O caso de homicídio, que foi descoberto mais tarde pela investigação, está a ser julgado no outro processo.

A leitura dos dois acórdãos ficou agendada para o próximo dia 17 de novembro às 14 horas.

Teixeira Correia

(jornalista)

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