Moura: O encanto do palácio onde Amália cantou.


Fundado em 1635, o atual Hotel de Moura, integrava originalmente o terceiro convento que foi erigido em Portugal pela Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

O edifício, bem como o hospital real adjacente, foram administrados pela comunidade religiosa e funcionaram em pleno até à extinção das ordens religiosas.

O quarteirão constituído pelo Hotel de Moura, Igreja de Santo Agostinho e o ex-Grémio da Lavoura, foi classificado em maio de 2014 pela Direção-Geral do Património Cultural, como Conjunto de Interesse Público (CIP).

Entre 1809 e 1826 ali esteve instalada a Fábrica Real de Salitre que produzia a pólvora para todo o Portugal Continental. Por volta de 1870 o Morgado de Lacerda, um rico agricultor local, compra o espaço e faz dele uma apalaçada habitação senhorial.

É em 1900, que parte da habitação é adaptada para o Grande Hotel de Moura, por força da contrapartida que a empresa que explorava a famosa Água Castello, produzida em Moura, era obrigada a manter um hotel para servir a vila.

De grande valor histórico, arquitetónico e artístico, fundado no século XVII, o hotel é constituído por um edifício de três pisos todo revestido a azulejos azuis e branco e grengas, é um ex-libris da cidade de Moura, onde Amália Rodrigues deixou a sua marca (na foto). José Correia, um mourense licenciado em história, lembra que no início dos anos 50 “recusou-se a cantar um esplanada e cantou à varanda de um quarto no primeiro andar”, que hoje é conhecido como o “Quarto Amália”. Em três palavras o historiador define o hotel como “imponente, majestoso e histórico”.

Há cerca de meia dúzia de anos, a unidade foi adquirida por um grupo hoteleiro que levou a cabo uma importante recuperação e remodelação do hotel, que dispõe e 36 quartos e 3 apartamentos. Os quartos são de categoria superior e standard, com os primeiros a apresentarem uma decoração especial e única e os apartamentos a disporem de sala, cozinha, com um ou dois quartos. O edifício tem um espetacular pátio interior, terraços e jardim que incorpora uma simpática piscina, com duas salas, uma de leitura e outra alentejana, ambos com lareira.

Localizado a uma dezena de quilómetros do maior lago artificial da Europa, a Barragem de Alqueva, permite a prática de desportos náuticos como a canoagem, pesca e passeios temáticos de barco. A albufeira conta ainda com três praias fluviais (Monsaraz, Mourão e Amieira.

Em colaboração com produtores locais, o hotel promove provas de vinho e azeite, dois ex-libris do concelho, que podem ser acompanhados pelo cante alentejano.

Informação útil

Como chegar: Do Porto ou Lisboa pela A6 até Évora e depois pelo IP2 até Portel, atravessando o paredão da Barragem de Alqueva. Fica situado no centro da cidade de Moura. Preços: a partir de 40 euros por quarto e 45 euros os apartamentos.

Teixeira Correia

(jornalista)

 


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