Quarta-feira, Janeiro 14, 2026

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“Operação Espelho II”: Quatro trabalhadores explorados pouco esclareceram sobre os factos em julgamento.

As quatro primeiras testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público, ouvidas na manhã desta quarta-feira no Tribunal de Beja, no âmbito do processo judicial que resultou da “Operação Espelho II”, pouco ou nada aclararam sobre a forma e quem os explorava no trabalho agrícola.

Um cidadão senegalês e três indianos tiveram explicações com pouca consistência tendo inclusivamente um deles, referido que chegou ao Alentejo em abril de 2024, seis meses depois da operação levada a cabo pela Unidade Nacional de Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ) e que originou a detenção e acusação de 22 pessoas, pela prática dos crimes de tráficos de pessoas, associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal e branqueamento de capitais.

A primeira das testemunhas identificou o casal Susca como as pessoas que o contrataram, justificando ter assinado dois contratos de trabalho, onde receberia 35 euros pelas 8 horas de trabalho por dia, não tendo revelado o nome da pessoa que lhe indicou que arranjaria trabalho no Alentejo. Quando questionado sobre a forma e os valores que recebia disse que: “o dinheiro vinha num envelope, sem recibo. Ganhava entre 500 e 600 euros por mês”, respondeu.

Quantos aos três trabalhadores indianos, dois deles identificaram um dos arguidos da mesma nacionalidade, mas, nada acrescentaram sobre como chegaram e trabalhavam nos campos da região, enquanto o terceiro disse ter assinado um contrato com o arguido Pardeep S., mas quando o juiz lhe pediu para o identificar não o reconheceu. As três testemunhas foram de imediato dispensadas de prestar mais declarações.

Um dos militares da GNR referiu que na sequência de uma denuncia foi a uma casa onde estavam quatro cidadãos africanos vivendo em deploráveis. “Dormiam no chão, parte da casa não tinha telhado, não havia mobiliário, as janelas tapadas com plásticos e a cozinha era numa garagem”, justificou.

Riorita Snigureac uma arguida moldava, contra quem tinha sido emitido mandado de detenção para condução a tribunal para ser julgada, não foi localizada em Portugal, pelo que julgamento segue sem a sua presença.

Luís Gonçalves, inspetor da UNCT-PJ responsável pela “Operação Espelho II”, que também tinha coordenado a anterior operação levada a cabo em 22 de novembro de 2022, que esteve na base da “Espelho” um ano depois, cujo depoimento será essencial para conhecer os pormenores da ação que esteve na origem da acusação, cujos crimes estão a ser julgados, vai ser ouvido no próximo dia 6 de janeiro.

Teixeira Correia

(jornalista)

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