Os operacionais das corporações de bombeiros dos quatro Comandos Sub-Regionais de Emergência e Proteção Civil (CSREPC) do Litoral, Alto, Central e Baixo Alentejo, que foram mobilizados para as operações de salvamento e desobstrução de vias em Leiria e Ferreira do Zêzere, após a “Depressão Kristin”, ainda não receberam as verbas referentes às ações para que foram acionados.
As corporações alentejanas estiveram no terreno entre 28 de janeiro e 7 de fevereiro, mobilizados em grupos de primeira atuação e depois nas diversas rendições, mas, volvidos oito meses ainda não viram “a cor do dinheiro”.
O Lidador Notícias (LN) questionou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) sobre as razões da falta do pagamento, tendo esta justificado que “os valores relativos à tempestade Kristin já foram liquidados”, acrescentando que subsistem “algumas situações pontuais cujos processos para pagamento apenas foram recebidos em setembro, encontrando-se o respetivo processamento em curso”, não revelado qual a verba em dívida.
O atraso no pagamento foi confirmado pelo 2º comandante do Comando Regional do Alentejo (CRA) que justificou que “existe essa falta de pagamento que não é desejável. Estamos a trabalhar para resolver o problema”, garantiu Simão Velez.
O LN apurou que a documentação enviada pelas corporações para os comandos sub-regionais foi por estes enviada em devido tempo” para o CRA, mas o que se passou depois ninguém sabe. Fonte da sub-região do Baixo Alentejo assegurou que “o processo foi enviado durante o mês de fevereiro e o valor global em dívida aos nossos operacionais ronda os 20.000 euros”, concluiu. Onze operacionais de uma corporação do Corpo de Bombeiros de Serpa têm a receber 3.750 euros.
À data da ocorrência da “Depressão Kristin”, José Guilherme, era o 2º comandante regional do Alentejo, e o graduado máximo já que na altura a estrutura não tinha comandante. Ouvido pelo LN, o agora Inspetor Regional de Bombeiros dos Açores justificou que “até à minha saída do comando, em 24 de maio, despachei tudo o que recebi dos comandos sub-regionais”, acrescentando que “não me recordo quais foram”, concluiu.
Estrutura de comando no Alentejo “amputada” durante mais de um ano.
A região Alentejo esteve sem comandante regional desde março de 2025, quando José Ribeiro deixou o cargo para assumir funções com o segundo comandante nacional de Emergência e Proteção Civil. José Guilherme era o de 2.º comandante regional e depois da saída deste para os Açores, a estrutura do Alentejo esteve durante cerca de duas semanas sem qualquer elemento na cadeia de comando.
A situação foi ultrapassada no início do passado mês de junho, com a nomeação de Simão Velez para o cargo de segundo comandante e só no final do mesmo mês a cadeia de comando foi restabelecida com a nomeação do então Comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Alentejo, Rui Conchinha.
Teixeira Correia
(jornalista)


