Descontentes com o preço do gasóleo agrícola e a falta de apoios com vista às culturas de Outono-Inverno, os agricultores do concelho de Serpa estão em protesto durante 24 horas circulando a em marcha lenta que tem levado ao bloqueio da Estrada Nacional 260 (EN260) na ligação Serpa-Beja, inviabilizando a circulação de centenas de pesados de mercadorias de e para Espanha.
Depois da concentração em Vila Nova de São Bento e Serpa, mais de uma centena de tratores, salpicados por alguns ligeiros e pesados de mercadorias, circulam desde as 08h00 na EN 260 e três horas depois rodam em círculo entre aquela última localidade e a Ponte do Rio Guadiana, que levou à impossibilidade de circulação de veículos entre Serpa e Beja, incluindo os pesados de mercadorias que transitam de e para Espanha.
“Um dos pontos principais que defendemos é a descida do preço dos combustíveis. Depois há dois pontos onde o Governo deve mexer: acabar com o pagamento da taxa de carbono e terminar com o pagamento e devolução de Iva, de que somos credores. Estas duas medidas significavam menos 40 cêntimos por litro”, sintetizou João Revez, presidente da direção da APROSERPA-Associação de Produtores do Concelho de Serpa.
A postura dos agricultores ficou mais exacerbada depois das palavras do ministro da Agricultura na passada quarta-feira, em Beja, que depois de reconhecer “a justeza das reivindicações dos agricultores” acrescentando, no entanto que “os agricultores do distrito de Beja receberam do pedido único 62 milhões de euros em 2023 e 195 milhões em 2025 e este ano vai ser superior. Falamos do triplo, é um aumento considerável”, justificou José Manuel Fernandes.
João Revez acusa o ministro de iludir a opinião pública ao “misturar verbas de diferentes rúbricas e disse que temos recebidos mais apoios. Desde esse dia fui à conta e tenho lá o mesmo dinheiro”, justificou o agricultor.
António Morgado, carismático agricultor do concelho de Serpa, apontou a falta de diálogo do ministro da Agricultura e justificou que “temos sido cordiais e respeitadores e têm-nos faltado ao respeito e quando faltam ao respeito a um alentejano as coisas começam a complicar-se”, acrescentando que “no terreno, queremos falar o com o ministro ou alguém que envie e apresentar de novo as propostas que o senhor ministro já tem em seu poder”, concluiu.
Insatisfeito com a postura do Governo, António Morgado garantiu que “se for preciso vamos a Lisboa. A Margem Esquerda está unida, os outros se não quiserem ir, não há problema”, rematou.
“O surgimento deste movimento em Serpa é fácil de explicar. A 30 quilómetros temos Espanha, onde o Estado ajuda o gasóleo agrícola no triplo do valor e os fatores de produção são mais baratos e em Portugal estamos ao abandono”, justificou David Catita, agricultor e vereador da Câmara de Beja eleito pelo Chega.
Além do pedido único, que segundo o ministro, entre 2023 e 2025 triplicou para os agricultores de Serpa, José Manuel Fernandes acrescentou que, per capita no distrito de Beja, “o apoio a cada agricultor foi de 20 mil euros muito superior ao salário médio na região”, palavras do titular da pasta da agricultura que não são aceites pelos agricultores.
Teixeira Correia
(jornalista)


