Sexta-feira, Outubro 16, 2026

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Relatório Rede Anti-Pobreza: Alentejo é a região mais pobre.

No distrito de Beja, Banco Ali­men­tar e Cári­tas Dio­ce­sana levam comida a quem neces­sita e cada vez mais de forma anó­nima. “Há muita ver­go­nha e não que­rem dar a cara, mas pre­ci­sam de apoio”. Banco Alimentar de Beja já entregou mais de 130 toneladas de alimentos este ano.

O relatório da EAPN Portugal-Rede Europeia Anti-Pobreza revela que a taxa de pobreza persistente, que já existia em pelo menos dois dos três anos anteriores, cresceu para 9,5%. A análise confirma ainda que quase metade dos pobres não recebe apoios.

Ainda que existam alguns indicadores muito positivos, como os números do turismo, da ocupação hotelaria e da restauração e da produção agrícola, com particular enfase no olival, gerando mais emprego sazonal, a taxa de pobreza no Alentejo é a mais elevada do país, com particular impacto no distrito de Beja.

Os números do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) e da Cáritas Diocesana de Beja (CDB), ambas sediadas em Beja, não deixam margem para dúvidas sobre as dificuldades das famílias em adquirirem os bens alimentares e têm que recorrer a esta e a outras instituições, mas, continua-se cada vez mais a viver-se a chamada “pobreza envergonhada”, em que as pessoas procuram não mostrar o drama social em que vivem.

O Banco Alimentar que apoia instituições de treze concelhos da área da Comunidade Intermunicipal, com exceção de Odemira, só no corrente mês de outubro vai apoiar 34 instituições, fornecendo cabazes para 752 famílias abarcando 1693 pessoas. Os produtos não perecíveis distribuídos pelo BACF traduzem-se num total de 9.953 quilos, que vão do leite, às massas, óleo, açúcar, atum, entre outros.

Nos primeiros dez meses de 2026, o Banco Alimentar vai entregar às instituições com as quais tem acordos de apoio, 132.089 quilos de bens, num total de 202 mil euros. Em 2025 a instituição distribuiu 149.886 quilos de bens, com um valor total de 233,677 euros.

António Patriarca, presidente do BACF, justificou que “além destes cabazes recolhemos alimentos perecíveis para combater o desperdício e muitos deles vão para lares e outras instituições, porque não atribuímos diretamente às pessoas”. Pelas conversas com os responsáveis das instituições “percebe-se que há mais pessoas a trabalhar porque regressaram os trabalhos sazonais na agricultura, daí que não haja aumento de pedidos”, concluiu.

Na Cáritas Diocesana, o cenário é diferente já que a instituição trabalha diretamente com as pessoas, nos 17 concelhos da Diocese, num leque que vai de residentes, a sem abrigo e a pessoas em situações de risco, que beneficiam também de outras ajudas. Na sede da CDB nas diversas valências há pessoas que frequentam o refeitório social e outras a cantina social onde diariamente são confeccionadas e fornecidas 300 refeições. “Para que ninguém fique com fome, frio ou sede, por vezes cortamos em outras despesas como os combustíveis. Há muitas pessoas que com vergonha não querem dar a cara, mas, necessitam do apoio que não descuramos”, disse ao LN a presidente Teresa Almeida.

Através do programa “Privação Material”, em 10 concelhos são fornecidos alimentos a 913 famílias abrangendo 1331 pessoas, sendo que no concelho de Beja há 336 famílias sendo apoiadas 1171 pessoas. Neste apoio estão englobadas algumas famílias de etnia cigana. Mas a Cáritas tem também um cartão da Diocese em que as pessoas podem recorrer às superfícies com que têm acordos e as pessoas adquirirem os produtos que entenderem dentro de um determinado valor. Através do “Voluntariado em Movimento”, que decorre em 110 paróquias da Diocese foram até agora apoiadas 2000 pessoas.

Teresa Almeida “a pobreza envergonhada existe e é um estigma. Até nos nomes como loja social se sente que as pessoas têm relutância em entrar. No nosso caso mudámos para Entre Laços”, acrescentando que “a necessidade é tanta que as pessoas não fogem a pedir ajuda, porque a visa descambou, mas, cada vez mais de forma anónima”, resumiu.

Teixeira Correia

(jornalista)

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