A EDIA emite comunicado onde refere que devido à manutenção de elevados caudais afluentes ao Sistema Alqueva-Pedrógão estão a ser realizadas descargas na Barragem de Pedrógão.
A albufeira de Pedrógão encontra-se, neste momento, a cerca de 1,43 m acima do Nível de Pleno Armazenamento, situação que justifica a continuidade das operações de descarga.
https://www.facebook.com/reel/1237674078328256
Em paralelo, e face à persistência das afluências elevadas, encontram-se em funcionamento 3 grupos na central hidroelétrica de Alqueva, com um caudal instantâneo total turbinado da ordem dos 600 m³/s, contribuindo para a gestão do armazenamento na albufeira de Alqueva.
Em função desta operação integrada, prevê-se que o descarregamento de caudais na Barragem de Pedrógão venha a aumentar para valores da ordem dos 1 500 m³/s nas próximas horas, em função da evolução hidrológica.
As descargas em curso irão provocar a subida dos níveis do rio Guadiana a jusante da barragem de Pedrógão.
Neste contexto, a EDIA solicita a colaboração de todas as entidades e das populações ribeirinhas, no sentido de garantir a salvaguarda de pessoas e bens, recomendando a adoção de comportamentos de precaução nas zonas potencialmente afetadas.
Importa ainda referir que o tempo de trânsito dos caudais descarregados pela Barragem de Pedrógão é de cerca de 18 horas até ao Pulo do Lobo, podendo o aumento dos caudais na região de Mértola ocorrer apenas após um período superior a 18 horas, em função das condições de escoamento.
A EDIA está a acompanhar permanentemente a evolução da situação, procedendo aos ajustamentos operacionais necessários e assegurando a articulação com as entidades competentes.
Alqueva está a 35 centímetros do enchimento
De acordo com os dados divulgados pela EDIA na sua página da internet, a barragem de Alqueva atingiu às 08h00 desta quarta-feira 96,12 % da capacidade máxima, apresentando um volume de 3989.06 hm3, de uma capacidade total de 4150 milhões de metros cúbicos de água, estando à cota 151,65 metros, ou seja, a 35 centímetros do enchimento total.
As descargas de superfície que a Barragem do Caia, no concelho de Elvas, começou a realizar na segunda‑feira, às 09:00, depois de o nível de armazenamento ter ultrapassado os 98%, o equivalente a cerca de 187 milhões de metros cúbicos de água, muito têm contribuído para o enchimento de Alqueva.
Em entrevista ontem à TSF José Pedro Salema, presidente da empresa de desenvolvimento e infraestruturas do Alqueva (EDIA), defendeu que a albufeira caminha a passos largos para “o nível de pleno armazenamento, um volume importante”. No entanto, ressalva, os 6% de armazenamento restantes, “apesar de parecerem pouco”, representam “mais do que outras albufeiras juntas”.
Por enquanto, as descargas não são uma opção. José Pedro Salema refere que os profissionais “tentam sempre [fazer com] que o volume máximo seja retido”. Isto porque uma descarga “não gera benefício nem valor nenhum”, apesar de ser “um espetáculo visual muito interessante”, acrescenta.
“O Alqueva só descarrega se, depois de atingir a sua capacidade máxima, o volume de água que chega à albufeira for superior à capacidade de vasão das turbinas”, clarifica, sublinhando que essas turbinas permitem “uma saída de água que gera eletricidade e valor”.
Teixeira Correia
(jornalista)


