Francisco Rial, cidadão espanhol, um dos arguidos do processo de tráfico de droga a bordo de um veleiro, confessou esta manhã no Tribunal de Beja que efetuou o transporte de 786 quilos de haxixe, por lhe terem sido prometidos 5.000 euros pelo serviço. Descontente com a versão apresentado, o advogado Vítor Parente Ribeiro, renunciou à defesa do seu cliente, o que levou à suspensão do julgamento, a fim de ser nomeado um advogado oficioso.
A primeira sessão do julgamento, realizada no passado dia 20, tinha sido suspensa devido a um incidente de recusa suscitado pelo mesmo advogado, por discordar da forma como a tradução estava a ser feito, o que levou a presidente do coletivo de juízes a suspender a sessão, que recomeço hoje com novo interprete.
Para evitar um possível recurso para o Tribunal da Relação de Évora (TRE), casos os arguidos sejam condenados, a magistrada recomeçou o julgamento com a identificação dos acusados, a leitura do despacho de pronuncia e a recolha dos seus depoimentos.
O arguido Francisco Rial, confessou a propriedade do veleiro, destinado a fazer viagens turística, mas, que depois do contato com um indivíduo de Algeciras, que não identificou, “a partir de águas internacionais fiz o transporte da droga com a promessa de receber 5.000 euros. E no final nada. Fiquei sem o barco e estou preso”, justificou o arguido.
Face às declarações de Francisco Rial, o advogado dirigiu-se à presidente do coletivo de juízes e afirmou que “não há condições para continuar a assegurar a defesa. O que o arguido disse não foi o que planeámos. Sinto-me enganado. É um atentado à minha honra”, anunciado a decisão de renunciar.
Ato continua o arguido foi questionado se arranjava novo advogado ou se o tribunal nomeava um oficioso, tendo Rial optado pela segunda hipótese, o que levou a que fosse contatada a Ordem dos Advogados para nomear um defensor oficioso, recomeçando a sessão às 14h30. O outro arguido, António Contreras disse que também que queria falar, ao contrário da primeira sessão onde recursou prestar declarações.
Já fora da sala de julgamento, o advogado disse ao Lidador Notícias que “foi uma situação muito desagradável. Estou a acompanhar o arguido desde o início do processo. Não é natural. Mas ele sabe o que é melhor para a sua defesa. A versão que apresentou nada tem a ver com a contestação que fizermos aquando da acusação”, resumiu.
O advogado Vítor Parente Ribeiro, ficou conhecido por representar as famílias dos seis alunos da Lusófona que morreram na praia do Meco no dia 15 de dezembro de 2013 e mais recentemente ser o advogado de um dos maiores traficantes de droga portugueses, Rúben Oliveira, conhecido por “Xuxas”.
Recorde-se que Francisco Rial, de 56 anos, residente em Villagarcia, Pontevedra, e António Contreras, de 43 anos, em Madrid, foram detidos na noite de 7 de outubro do ano passado e no interior do veleiro de pavilhão polaco, mas, em nome do primeiro dos arguidos, onde transportavam 786 quilos de haxixe, que dariam para 1,5 milhões de doses.
Teixeira Correia
(jornalista)


