Mértola: Bombeiros têm a receber mais de 104 mil euros de serviços prestados.


Bombeiros de Mértola fecharam o ano com mais de 104 mil euros por receber, grande parte de serviços prestados a instituições de saúde. Além cesta verba há mais de 20 mil de dívidas de cidadãos do concelho que não pagaram serviços particulares. 

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mértola (AHBVM) fechou o ano de 2021 com mais de 104 mil euros para receber de serviços prestados a diversas instituições, a maioria do sector da saúde. Não estão incluídos valores de transporte de doentes do concelho, feitos a pedido daqueles e que ultrapassam os 20 mil euros.

A vice-presidente da direção, revelou que “ainda que lutando com grandes dificuldades, temos as contas equilibradas. Até ao dia 10 de cada mês pagámos aos nossos fornecedores”, em contrapartida diversas instituições, nomeadamente hospitais, companhias de seguros e outras “têm uma verba muito significativa para pagar e que ultrapassa os 104 mil euros. É muito para uma organização como os bombeiros”, rematou.

A maior fonte de receita da AHBVM reside no contrato com as Águas de Públicas do Alentejo, para o abastecimento de água às populações através de autotanques nas muitas localidades isolados do concelho que não são servidas pela rede pública.

Margarida Lopes acrescentou que ao longo do ano “a principal prioridade” foi salvaguardar os homens e mulheres desta casa “para que não faltasse o socorro à nossa comunidade e esse objetivo foi cumprido”, rematou. Ciente da importância que os colaboradores têm no desempenho da associação, a direção atribuiu 6.500 euros em bónus no final do ano.

A direção da AHBVM está à frente da instituição há 6 anos e no passado mês de dezembro iniciou mais um mandato de três anos. Aquando do almoço da de Natal da corporação, o presidente da Câmara de Mértola, Mário Tomé, destacou a vitalidade e união no anterior da instituição: “temos uma direção e um corpo de bombeiros unidos. Antes havia comando e não havia direção ou havia direção e não havia comando”, justificou.

Fazendo o balanço do ano, Margarida Lopes revelou que “em 2021 foi feito o maior investimento de sempre na associação”, tendo a dirigente descrito que foram adquiridos três novos veículos: “uma ambulância de socorro, um veículo de transporte de doentes não urgentes e um de comando, no total de 126 mil euros, sendo 76 mil da associação e os restantes 50 mil da autarquia”, concluiu. A pandemia de covid-19 e os custos inerentes à segurança dos profissionais e doentes, levaram a que em equipamentos de proteção e saúde fossem gastos cerca de 25.000 euros.

Mas o que deixa a direção agastado é a falta de resposta por parte de muitos munícipes que solicitaram os serviços dos bombeiros e que não cumpriram para com as suas obrigações “pagar os serviços particulares que solicitaram”, disse agastada Margarida Lopes, que revelou que a verba “ultrapassa os 20 mil euros”. Alguns dos processos foram remetidos ao Julgado de Paz de Castro Verde, mas a esmagadora maioria “nem responde as cartas que recebem”, concluiu.

Sem violar a Lei de Proteção de Dados, questiona-se a elaboração de uma “Lista de Calotes” para que sejam tornadas públicas as dívidas à instituição por parte de particulares.

Teixeira Correia

(jornalista)


Share This Post On
468x60.jpg