A Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG) alertou que Portugal poderá perder 5,4 mil milhões de euros em valor económico se adiar em 10 anos a expansão de 120 mil hectares de regadio prevista na Estratégia “Água que Une”. Um montante que corresponde ao investimento total programado até 2030.
Destaque também para as 300 medidas inscritas na Estratégia – entre as quais a reabilitação de infraestruturas, a construção de novas barragens, interligações e modernização dos sistemas de rega, mas que não contemplam cerca de 60 medidas fundamentais para o regadio, sendo que 49 delas totalizam um valor que ultrapassa os 477 milhões de euros. A maioria destes projetos está pronta para avançar, com estudos feitos e financiados pelo PDR2020, mas continua sem perspetiva de execução e não foi incluída no documento divulgado para consulta.
No passado dia 19 de março, numa sessão decorreu na sede da ACOS-Agricultores do Sul, em Beja, foi apresentada a estratégia “Água que une”, que no distrito de Beja prevê entre outros a ligação ao Algarve a partir do Pomarão (Mértola) e de Alqueva à barragem de Santa Clara (Odemira) via a do Monte da Rocha (Ourique). O alteamento e aumento capacidade da barragem de Alvito e a construção de duas novas albufeiras nas ribeiras de Terges e Cobres (Beja) e Carreiras (Mértola) são tidas como essenciais para as reservas de água.
Aquando da apresentação da “Água que Une”, José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura, e Maria da Graça carvalho, ministra do Ambiente e da Energia reforçaram a ideia de que não são os recursos financeiros o maior desafio para cumprir a estratégia, mas a “aprovação dos projetos que não devem demorar uma eternidade para os concluir”.
Teixeira Correia
(jornalista)


