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Beja: Um dos fugitivos de Alcoentre, em julho de 2025, julgado por tráfico de estupefacientes agravado.

Hélder Angélico, de 38 anos, um dos dois cadastrados que na noite de 7 de julho de 2025 se evadiu do Estabelecimento Prisional (EP) de Alcoentre, no concelho de Azambuja, faz parte do grupo de vinte arguidos do processo que começou a ser julgado na segunda-feira no Tribunal de Beja, estando a esmagadora maioria acusados de um crime de tráfico de estupefacientes agravado.

O arguido cumpria uma pena de prisão de quatro anos e oito meses, resultante de um cúmulo jurídico de condenações de um crime de tráfico de estupefaciente e outro de condução sem habilitação legal, aplicado pelo Tribunal de Beja, e transitado em julgado a 2 de janeiro de 2025.

Na fuga, Hélder Angélico, que fora transferido do EP Beja, acompanhou Augusto Dinis, de 44 anos, que por seu turno tinha sido mudado da prisão de Ponta Delgada, por ter tentado fugir daquele estabelecimento. Os dois evadidos “gozaram” treze escassas horas de “liberdade forçada”, sendo recapturados na manhã do dia seguinte por militares da GNR, em Aveiras.

Natural de Serpa, o indivíduo cumpria uma pena de prisão pelo crime de tráfico de estupefacientes, quando teve contacto no EP Beja, com um dos cabecilhas do grupo que está a ser julgado e era responsável pelos arremessos de pacotes com droga para o interior da cadeia.

E foi assim, que na tarde de 15 de janeiro do ano passado, no pátio da cadeia, Angélico recolheu um pacote que engoliu, na tentativa de ocultá-lo e introduzi-lo no interior da prisão. Apanhado por um guarda, foi transportado ao hospital, onde expeliu, via ânus, um embrulho em forma de bolota, envolvido em celofane, contendo no seu interior quatro moedas e a quantidade de 30,361 gramas (peso líquido) de canábis, suficiente para 183 doses individuais.

No dia da fuga de Alcoentre, Frederico Morais, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), falando sobre Hélder Angélico, referiu que esteve detido em Beja, era “um recetor de tráfico dentro da cadeia e também aproveitou a oportunidade” para saltar o muro da prisão.

Na sequência da recolha da droga arremessada para o interior da cadeia de Beja, a 31 de janeiro de 2025 foi transferido para o EP de Alcoentre e após a fuga desta cadeia, foi levado para o EP de Linhó, em Alcabideche, concelho de Sintra, onde se encontra recluso.

No processo que está a ser julgado no Tribunal de Beja, Hélder Angélico está acusado da prática de crime de tráfico de estupefacientes agravado, sendo reincidente, pelo que arrisca uma pena entre 6 anos e 8 meses e 15 anos de prisão. Como o crime foi cometido quando já estava em prisão efetiva, não haverá lugar a cúmulo jurídico, sendo a pena a que for sujeito neste processo, cumprida depois de esgotados os quatro anos e oito meses que está a cumprir.

Estão sentados no banco dos réus, vinte arguidos, quinze homens e cinco mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos, acusados da prática de 55 crimes, que vão do tráfico de estupefacientes agravado, roubo agravado, furto qualificado, ofensa à integridade física qualificada, branqueamento de capitais e burla informática.

Teixeira Correia

(jornalista)

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