Abertura de troço da A26 deixa proprietários de cafés preocupados. Os automobilistas que circularem no sentido sul (Beja)/ norte (Lisboa) não podem aceder ao IC 1. Têm que entrar obrigatoriamente na A2.
“Desinformados, Desapoiados e Desiludidos”, é como se sentem dos dois cafés de Santa Margarida do Sado localizados junto à EN259, rodovia que atravessa a localidade, no “day after” (dia seguinte) da abertura do troço da A26.
António Trindade e Paula Cristina, alegam que a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo e a Junta de Freguesia de Figueira de Cavaleiros “não nos informaram que a A26 abria no final da tarde de sexta-feira” acrescentando que se “não pagar é bom. Mas afasta ainda mais os automobilistas”, temendo pelo futuro dos seus negócios.
Luís Pita Ameixa, presidente da edilidade de Ferreira do Alentejo, referiu que “fizemos um comunicado público e reunimos com a junta na quinta-feira. Durante a próxima semana vamos falar com os empresários. Preocupa-nos o futuro dos seus negócios”, rematou.
Mas também os automobilistas foram apanhados de surpresa pela abertura da via, “por falta de informação pública e sinalização mais objetiva informativa no acesso”, revelou ao Lidador Notícias (LN), José Maria, residente na Charneca da Caparica, que precedia de Serpa e utiliza a A2. “Autoestrada sem ser paga em Portugal? Você deve estar a brincar”, disse incrédulo o automobilista.
O troço de 13 quilómetros custou mais de cinquenta milhões de euros e esteve fechado durante quase três anos e liga a rotunda da Malhada Velha, a norte de Figueira de Cavaleiros, ao nó da A2 de Grândola Sul e não é portajado. No entanto, quem segue no sentido sul/norte (Beja/Lisboa) não tem acesso ao IC1 e obrigatoriamente tem que entrar na A2, podendo sair em Grândola Norte ou Aljustrel, percorrendo 17 quilómetros com um custo de 1,45 euros.
Dez anos mediaram entre o anúncio, pelo Governo de José Sócrates, sobre a construção da ligação rodoviária entre Sines e Beja, com perfil de autoestrada e portagens e a aberta do troça da A26. Em 2011, o secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, do Executivo liderado por Passos Coelho anunciou a suspensão dos trabalhos “por dificuldades do concessionário a que o Governo era alheio”. Ainda no reinado do PSD foi decidido construir o atual troço, cujas obras sofreram nova paragem, sendo depois concluído no primeiro mandato de António Costa.
Pelo caminho ficam muitas polémicas, como a falta de acordo entre o Governo e a concessionária Brisa para dar a obra como concluída, furtos de um trator e gasóleo no valor de quase 105.000 euros dos estaleiros da obra e a morte de um trabalhador de 54 anos, em 20 de agosto de 2015, depois de ter sido esmagado por uma retroescavadora.
Às 20,00 horas de sexta-feira, sem qualquer cerimónia pública, o troço da A26 onde se podia ler a frase “usem-me PORRA”, foi finalmente aberto ao tráfego automóvel.
Estatística Lidador Notícias (LN)
Ontem entre as 11 e as 11,15 horas o LN fez uma estatística da utilização do novo troço. Das 78 viaturas que passaram pela rotunda Malhada Velha, só 38 circularam pela nova via, sendo 21 no sentido norte/ sul e 17 no sentido contrário.
António Trindade
“Hoje é difícil analisar o impacto na nossa vida comercial. Durante a próxima semana já poderemos fazer um balanço com vista ao futuro. Abrimos cedo e quem vem de Lisboa são os clientes em maior número. Agora com um acesso mais direto não vão circular pela estrada nacional. Estamos desapoiados pelo Poder Local”.
Teixeira Correia
(jornalista)


