Sábado, Abril 18, 2026

InícioNossa TerraBeja: Retirada de bancos da Praça da República “obriga” moradoras do Centro...

Beja: Retirada de bancos da Praça da República “obriga” moradoras do Centro Histórico a levar cadeiras de praia.

Desde o passado mês de dezembro de 2024, por altura da realização das festividades da Passagem de Ano, que os bancos públicos existentes na Praça da República, o espaço nobre da cidade que domina o Centro Histórico da cidade de Beja, foram retirados e não voltaram a ser colocados.

Para poder usufruir do espaço, ao final das tardes, algumas moradoras das ruas adjacentes à Praça, transportam consigo as cadeiras de praia e instalam-se no local para desfrutar de largos momentos de descanso e de convívio.

Nádia Mira, tem sido uma das moradoras mais inconformadas com a situação e acusa a autarquia de “desleixo”, pela forma diz que o processo foi conduzido. “Tiraram os bancos em dezembro e só quatro meses depois, é que trataram de comprar as ripas para renovar os assentos”, justificando que “já foram dadas várias explicações, mas nenhuma convence as pessoas”, concluiu.

“Os problemas com a falta de segurança, motivada por pessoas alcoolizadas e o tráfico de droga, estão ultrapassadas pela ação das autoridades e a praça voltou a ter um ambiente agradável. Sem bancos resta a alternativa de trazer as nossas cadeiras, senão, vamos para as esplanadas e somos obrigados a fazer consumos de bebidas ou outros e levar com o ruído desses espaços”, acusou Nádia Mira.

A cidadã justifica que os espaços comerciais “são necessários”, mas as pessoas não podem estar “obrigadas” a sua utilização por falta de alternativa, sustentando que se trata de “uma forma de segregação social”, acrescentando que se considera “defensora do espaço público de todos e para todos. Se os carros saíssem da praça não se perdia nada, porque esses espaços são para as pessoas”, rematou.

Colocado perante os factos apontadas pela moradora do Centro Histórico, Paulo Arsénio, presidente da câmara Municipal de Beja, confirmou a retirada dos bancos por causa das festividades de final do ano, mas justificou que os bancos foram colocados em 2018 e “estavam em elevado estado de degradação, por terem sido alvo de situações de vandalismo e de destruição parcial”, justificou.

O edil esclareceu que a sua recuperação faz parte de um programa de recuperação de uma centena de bancos públicos existentes na cidade e foram alvo da “substituição de todas as ripas de madeira, por ripas de material reciclável, mais resistentes aos fenómenos atmosféricos e ao vandalismo”, aclarou o edil.

Paulo Arsénio revelou que a totalidade da intervenção ficou concluída no início do corrente mês e na Praça da República “os bancos vão ser recolocados nos próximos dias, optando-se por não instalar os mesmos junto a zonas de obras e imediatamente encostados a esplanadas”, concretizou o autarca.

Numa obra que está em execução do topo sul da praça, um contentor foi tapado com um gradeamento envolvido com lonas que curiosamente apresentam aspetos da praça onde se vêm pessoas sentadas nos bancos que foram retirados do local.

Teixeira Correia

(jornalista)

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Recentes