Beja: Utentes da Mansão São José regressaram ao lar. Oito mulheres morreram com covid-19.


Utentes da Mansão de São José que estavam na BA11 regressaram ontem ao lar. Desde o início do surto já se registaram oito mortes, a última no dia 30 de outubro.

Cinquenta mulheres, utentes da Mansão de São José, em Beja, dadas como curadas do covid-19, regressaram ontem ao lar, 15 dias depois de terem sido transferidas para o Centro de Acolhimento Covid da Base Aérea (BA) 11, devido à epidemia de coronavírus.

Oito utentes, com idades compreendidas entre os 81 e os 99 anos, acabaram por falecer no Hospital José Joaquim Fernandes, onde estavam internadas. Quatro das utentes permaneciam no lar e as restantes quatro no edifício da BA11.

O surto naquela Estrutura Residencial Pessoas Idosas (ERPI), propriedade de uma estrutura eclesiástica, foi despoletado na sequência da testagem positiva no passado dia 13 de outubro, de uma utente e de uma funcionária.

Com o regresso da meia centena de utentes da BA11, das 89 mulheres que a ERPI tinha quando “rebentou” a pandemia, 76 estão agora no lar, 5 estão internadas nas enfermarias Covid do 3º piso do Hospital de Beja, a que juntam as oito vítimas mortais.

Segundo apurou o Lidador Notícias (LN), nem tudo terá corrido bem no Centro de acolhimento da BA11, uma vez que as duas utentes que tinham sido transportadas do lar e que estavam negativas, acabaram por ser contagiadas e contrair a covid-19.

O mesmo se passou com a diretora técnica nomeada pela direção da ERPI que contraiu a doença, acabou por ficar confinada na sua habitação e o Centro entregue a um elemento da empresa prestadora de serviços contratada pela Câmara Municipal de Beja para tratar das utentes.

A operação de evacuação levada a cabo durante a tarde deste domingo, voltou a ser coordenada pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja que para além de operacionais e viaturas da corporação contou com meios humanos e logísticos da delegação local da Cruz Vermelha Portuguesa e a colaboração da Esquadra de Trânsito da PSP.

Por parte da Câmara Municipal de Beja esteve presente Marisa Saturnino, vereadora com os pelouros da Ação Social e Saúde e membros da Proteção Civil Municipal. A diretora técnica da Mansão que acompanha a chegada das utentes ao lar, recusou a prestar qualquer esclarecimento sobre a situação.

Recorde-se que a Câmara Municipal de Beja contratou 50 trabalhadores a empresa prestadora de serviços, sendo que 40 estavam no Centro de Acolhimento da BA11 e agora ficam na Mansão, enquanto que os restantes 10 trabalhadores estão deslocados no Centro do Salvador.

Ao LN, o presidente da Câmara de Beja, justificou que “a contratação das 50 pessoas, custa 127.500 euros por mês”, recordando Paulo Arsénio tratar-se de uma situação extrema derivada da pandemia “a autarquia substituiu-se às instituições na contratação de meios indispensáveis ao regular funcionamento e assistência urgente dos utentes”, rematou.

Teixeira Correia

(jornalista)


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