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Campo de Tiro: Município de Mértola afirma estar sem respostas do Governo e entidades competentes.

A autarquia considera “grave” do ponto de vista institucional e “profundamente negativa” pelo impacto que a ausência de informação tem na tranquilidade das populações e na confiança no processo de eventual instalação de um campo de tiro no concelho de Mértola.

O Campo de Tiro de Alcochete (CTA) é o único no país que permite treinos de tiro ar-chão com caças F-16 e a Força Aérea Portuguesa (FAP) não tem outra alternativa que não seja Mértola/Serpa como possível destino para deslocalizar CTA.

Em comunicado o Município mertolense, presidido por Mário Tomé, justifica que apesar das diligências efetuadas desde novembro do ano passado, “continua sem receber qualquer comunicação oficial ou esclarecimento formal por parte do Governo sobre a deslocalização do campo de tiro”, com o edil a garantir que a autarquia “continuará a exigir respeito institucional, transparência e esclarecimentos públicos, alertando para os riscos da especulação e para o clima de incerteza que estas notícias geram junto da população”, justificou.

Mário Tomé assegura que o Município “mantém total disponibilidade para o diálogo construtivo e responsável, mas rejeita qualquer tentativa de impor decisões estruturantes para o concelho que possam ser nefastas para o território”, concluiu. 

Os “primeiros passos” para mudar a infraestrutura para Vale no Poço, lugar também conhecido como “Fábricas”, nos concelhos de Mértola e Serpa, a nordeste do Pulo do Lobo, na margem esquerda do Guadiana, aconteceram em novembro de 2007, quando os serviços técnicos dos dois municípios alentejanos foram visitados por elementos ligados à estrutura militar para uma eventual instalação do Campo Militar.

Na altura os autarcas de Mértola e Serpa manifestaram-se contra a eventual instalação de um campo de tiro na serra comum aos dois concelhos para substituir o de Alcochete, alegando estar previsto um projeto turístico para a zona. Fonte da Força Aérea Portuguesa (FAP) revelou então que, “a zona de Mértola, pelas características do terreno e baixa densidade demográfica, poderia ser uma “alternativa a estudar”.

No final de uma audição parlamentar, realizada a 16 de janeiro de 2019, o à época Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General Manuel Rolo, frisava que “é fundamental para a operacionalidade dos aviões F-16”, justificando que o encargo mais elevado “envolvia a transferência do Campo de Tiro de Alcochete para a zona de Mértola/Serpa, entre 2024 e 2036 com um custo superior a 242 milhões de euros”, justificou.

Em 7 de dezembro do ano passado, o JN revelava que a FAP “não tinha outra alternativa” que não fosse Mértola como possível destino para deslocalizar o seu campo de tiro, desde que em 22 de novembro de 2007, a situação começou a ser estudada. Na altura fonte do gabinete do então CEMFA, General Cartaxo Alves, respondeu que “independentemente da solução que vier a ser tomada, a Força Aérea será sempre, como noutras circunstâncias, parte da mesma”.

No entanto, de acordo com fontes militares, desde 2017, quando se colocou a opção Alcochete para o novo aeroporto, o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), a hipótese de Mértola foi ponderada e considerada como mais vantajosa como a que melhor servia os requisitos operacionais da Força Aérea e “nenhuma outra localização foi estudada desde então”.

Em novembro de 2024 era noticiado que já existia um memorando de entendimento para a saída da Força Aérea do Aeródromo de Trânsito n.º 1 (AT1), em Lisboa, e que o terreno na ligação dos concelhos de Mértola e Serpa era a única opção para o campo de tiro.

Os últimos desenvolvimentos ocorreram em 1º de julho do ano passado quando, em Conselho de Ministros, o Governo determinou que a Força Aérea tinha que “apresentar, até 31 de dezembro de 2025, os estudos relativos à localização escolhida para o novo campo de tiro, devido à construção do aeroporto no de Alcochete”.

Teixeira Correia

(jornalista)

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