Depois de a VASP admitir reduzir as rotas de entrega em oito distritos, os autarcas exigem ação rápida do Governo para evitar novas desigualdades no acesso à informação. O distrito de Beja está no rol dos cortes.
A possibilidade de a distribuição diária de jornais e revistas ser reduzida em vários distritos do Interior está a gerar indignação e união entre autarcas de Norte a Sul.
A VASP admite estar a reavaliar o modelo operacional devido a dificuldades financeiras, o que poderá afetar já a partir de janeiro milhares de leitores de Vila Real, Bragança, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja. O risco de muitos portugueses ficarem privados da Imprensa impressa é visto como um golpe profundo no direito à informação.
O “Diário do Alentejo” teve distribuição própria durante através da Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (AMBAAL) que depois deu origem à CIMBAL, mas, há alguns anos que a distribuição é feita pela VASP.
António José Brito, jornalista, com carteira suspensa desde que há 8 anos assumiu a presidência da Câmara de Castro Verde, é o presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), proprietária do único jornal público de Portugal, o “Diário do Alentejo”, fundado em 1 de junho de 1932.
“A nossa expectativa é que o Governo venha a resolver esta questão com a VASP. Que é um problema muito sério e muito complica, na verdade é. Em causa está o direito à informação. O Governo tem uma importa palavra para ultrapassar esta situação. Que a VASP em definitivo já não vem, pessoalmente não acredito, mas pode acontecer. Se a CIMBAL pode assumir a distribuição do Baixo Alentejo ?? A questão está ainda muita fresca para colocarmos esta questão em cima da mesa”.
A VASP esclarece que a reavaliação das rotas resulta da “continuada quebra das vendas de imprensa” e dos custos operacionais crescentes, afirmando que mantém abertura ao diálogo e que não existe, para já, decisão definitiva.
A ERC considera que a anunciada redução “configura uma situação grave” com impacto no pluralismo e está a recolher informação para atuar “no âmbito das suas competências”. Já a Associação Portuguesa de Imprensa exige “ações urgentes” que assegurem a continuidade do serviço e evitem que vastas áreas do país fiquem sem jornais.
Confrontado com a questão, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou que as dificuldades resultam de “um ajuste ou desajuste no mercado, entre produtor, distribuidor e mercado que o consome”. Apesar da preocupação com a coesão territorial, rejeitou subsídios diretos e disse que qualquer medida deve ser “concorrencial, transparente e financeiramente justa”.
Teixeira Correia
(jornalista)


