A alemã Jenny Cornelia Bebernib, filha de Ilse Borwardt, assassinada por Fernando Belmonte, de 56 anos, e Mónica Lourenço, de 40, na aldeia de Baleizão, em Beja, não compreende como é “que pessoas que já foram declaradas culpadas por um crime tão brutal por três vezes continuem à solta”.
No entanto, espera que a condenação do casal a 22 anos de cadeia, decretada nesta terça-feira, seja “o primeiro passo no caminho para uma sentença definitiva”.
Numa carta enviada aos meios de comunicação portugueses, Jenny Cornelia Bebernib conta que viajou de propósito de Hamburgo, na Alemanha, até Beja para assistir à leitura do acórdão e garante que foi “um suplício ouvir novamente, com tantos detalhes e na presença dos autores, a descrição da execução brutal e traiçoeira do crime”.
Assegura, no entanto, que “foi também uma satisfação estar presente quando eles [Fernando Belmonte e Mónica Lourenço] foram novamente declarados culpados”.
“Punhalada no meu coração”
A alemã lembra que, já no interior do Tribunal de Beja, cruzou-se com “os autores do crime e com a mãe de um deles” e nenhum deles conseguiu olhá-la nos olhos. “Para mim, isso foi um sinal muito claro”, sublinha.
Jenny Cornelia Bebernib constitui-se assistente no processo do assassinato da mãe e já tinha marcado presença na leitura do primeiro acórdão, em 3 de abril de 2024. Agora que foi lido o terceiro acórdão sobre os mesmos factos, espera que este “seja o primeiro passo rumo a uma sentença definitiva”. “Embora o homicídio da minha mãe e do seu companheiro já tenha ocorrido há mais de três anos, esta perda continua a pesar-nos. A minha mãe tinha três filhos e sete netos, que agora nunca mais voltará a ver. É de extrema importância que os autores do crime recebam a punição justa e que, algum dia, possamos finalmente encerrar esse capítulo terrível de nossas vidas”, remata.
Nesta quarta-feira, um dia após a decisão dos juízes de Beja, Jenny Cornelia Bebernib voltou ao tribunal “para tirar uma fotografia” e voltou a cruzar-se na rua com Fernando Belmonte e Mónica Lourenço. “Foi como uma punhalada no meu coração. É-me totalmente incompreensível que pessoas que já foram declaradas culpadas por um crime brutal por três vezes que continuem a andar à solta”, afirma.
Liberdade até trânsito em julgado
Recorde-se que os corpos de Jan Otton, de 79 anos, e Ilse Ediltraud, de 71, foram encontrados mortos no dia 16 de abril de 2023, na Quinta do Paraíso Janedi, na aldeia alentejana de Baleizão. O casal português foi preso e acusado de dois crimes de homicídio e seria condenado três vezes na sequência de vários recursos apresentados.
A última condenação aconteceu na terça-feira, dia em que Fernando Belmonte e Mónica Lourenço voltaram a ser condenados a 22 anos de cadeia e ao pagamento de uma indemnização a Jenny Cornelia Bebernib no valor de 30 mil euros.
Porém, enquanto a decisão não transitar em julgado, Fernando e Mónica continuam em liberdade, uma vez que já cumpriram o prazo máximo de prisão preventiva.
Teixeira Correia
(jornalista)


