Quinta-feira, Maio 7, 2026

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Justiça: Arguido diz que matar um filho merece enforcamento, se for um de fora: “morreu, morreu”.

“Quem mata o próprio filho não devia ser preso, devia ser enforcado. Se for um de fora, morreu, morreu …”, disse hoje no Tribunal de Beja, Sanches Cardas, de 68 anos, acusado do homicídio qualificado agravado do filho mais velho, a tiro de caçadeira no acampamento do Baldio das Ferrarias, em Amareleja, concelho de Moura.

A primeira sessão do julgamento fica ainda marcado pelo comportamento do arguido, que após o depoimento do filho Sancho ofendeu este, já que as suas declarações foram contrárias às feitas por e pelo seu filho, Orlando Cardas, de 35 anos, também acusado do homicídio qualificado agravado de António.

Após ser dispensado pelo juiz-presidente do coletivo, Sanches disse ao filho: “és doido”. Após a reprimenda do magistrado retorquiu: “é doente. Com os medicamentos que toma é doido”, o que levou a ser avisado que se mantivesse a postura agressiva seria expulso da sala.

Em causa está a morte de António Cardas, de 40 anos, a 10 de junho do ano passado, depois de uma discussão com Orlando por causa de um negócio da compra e venda de um cavalo, levou a que o pai fosse à barraca, trouxesse uma arma e tenha disparado contra aquele, provocando-lhe a morte.

Sanches e Orlando respondem pelos crimes de homicídio qualificado agravado e posse de arma proibida, com o segundo dos arguidos a estar ainda acusado dos crimes de ofensa à integridade física qualificada cometida com arma e ameaça agravada.

Ao longo das suas declarações, o patriarca dos Cardas teve um discurso com muitas imprecisões, sempre no sentido de ilibar o filho de todos os acontecimentos, sustentando que “sou analfabeto e não falo português”, usando muitas vezes a expressão: “quem diz a verdade não merece castigo”. Uma das magistradas retorquiu ao arguido que, pelo contrário, “quem diz a verdade merece castigo”.

Sanches defendeu que o que aconteceu foi “um acidente. São coisas que acontecem”, sendo o resultado de estar embriagado e com gesto quis explicar ao coletivo que o filho “deu um sacudão na arma e como tinha o dedo no gatilho esta disparou”. Quando questionado sobre a gravidade dos factos e ter abandonado o acampamento justificou que “como estava alcoolizado não tinha noção do que aconteceu. Não fugi, deixei o local”, rematou.

Orlando, que antes e durante o testemunho chorou na sala de audiência, o que levou a que fosse aconselhado a acalmar-se no seu exterior, repetiu a expressão, “nunca, nunca, nunca”, quando questionado se deu a arma ao pai, se deu ordem para disparar e se ameaçou outros familiares.

Assegurou que não estava no local quando ocorreu o crime e que se manteve no acampamento durante um mês e só depois abalou por doença do filho. Esta versão foi desmentida pelo irmão que disse exatamente o contrário, motivo que levou ao ato de fúria do pai.

No dia 10 de junho de 2025, após o crime, pai e filho colocaram-se em fuga, tendo dois dias depois a Polícia Judiciária (PJ) detido Sanches em Póvoa de São Miguel, localidade que fica a pouco mais de 10 quilómetros de Amareleja, escondido num esconderijo entre fardos de palha. Orlando foi localizado e detido a 8 de agosto, em Reguengos de Monsaraz, onde se escondeu, pernoitando junto à linha de caminho de ferro na Rua dos Celeiros. Os dois homens estão em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Beja.

Teixeira Correia

(jornalista)

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