A Symtomax pretendia instalar no concelho o maior centro de cultivo ao ar livre da Europa. A empresa nunca chegou à exploração comercial e os equipamentos foram agora leiloados.
O projeto que prometia transformar Beja num dos maiores centros europeus de produção de canábis medicinal terminou num processo de insolvência. A Symtomax, instalada na Herdade da Gravia Grande, Quinta do Castelo, na localidade da Salvada, em Beja, previa investir mais de 30 milhões de euros, mas nunca chegou a desenvolver atividade comercial.
Segundo informação avançada pelo Jornal de Negócios, os equipamentos da empresa foram agora leiloados por um valor inferior a 4% da dívida que a Symtomax deixou apenas ao Estado.
A venda decorreu no âmbito do processo de insolvência n.º 619/26.0T8BJA, que corre no Juízo Local Cível de Beja. O lote colocado em leilão pela OneFix incluía equipamentos industriais, estufas, sistemas de climatização, ventilação e rega utilizados nas instalações localizadas no concelho de Beja.
Maior centro europeu ficou por concretizar
Constituída em 2017, a Symtomax chegou ao Baixo Alentejo com a promessa de desenvolver o maior centro de cultivo de canábis medicinal ao ar livre da Europa.
O projeto abrangia uma área total de 105 hectares, dos quais 95 hectares estariam destinados ao cultivo. A empresa previa ainda construir laboratórios de investigação e controlo de qualidade, assim como unidades de processamento, embalamento e distribuição.
Em 2020, os responsáveis anunciaram um investimento superior a 30 milhões de euros ao longo de cinco anos. A capacidade futura de produção foi então estimada pela própria empresa em 700 mil quilogramas de canábis medicinal por ano.
A Symtomax defendia que a localização no Alentejo, o número de horas de sol, as condições agrícolas e a existência de recursos hídricos permitiriam produzir a custos inferiores aos registados noutros mercados internacionais.
Antigo presidente do Infarmed integrou administração
O projeto contou também com a participação de Eurico Castro Alves, antigo presidente do Infarmed e ex-secretário de Estado da Saúde no segundo Governo liderado por Pedro Passos Coelho.
Eurico Castro Alves foi anunciado, em outubro de 2019, como administrador não executivo da empresa, numa altura em que a Symtomax procurava captar investimento para desenvolver a unidade de Beja.
Em junho de 2021, a empresa anunciou ter recebido autorização do Infarmed para iniciar o cultivo e desenvolver atividades de importação e exportação. No início de 2022, chegou a divulgar a realização de uma cultura experimental nas instalações alentejanas.
Apesar desses anúncios, o projeto nunca avançou para uma fase de exploração comercial. Em abril deste ano, a Symtomax deixou de constar das listas de entidades autorizadas pelo Infarmed para as atividades de cultivo, importação e exportação de canábis medicinal.
Promessa de investimento termina com equipamentos em leilão
O processo de insolvência encerra um projeto apresentado como um investimento capaz de colocar Beja no centro da indústria europeia da canábis medicinal e de criar emprego especializado no Baixo Alentejo.
As instalações ficaram abandonadas e os bens encontrados no local seguiram para venda, num desfecho muito distante das metas de investimento, produção e crescimento internacional anunciadas pela empresa.
A informação relativa às dívidas, ao resultado do leilão e à ausência de atividade comercial foi avançada pelo Jornal de Negócios. O processo de insolvência e a colocação dos equipamentos em leilão estão identificados na plataforma da OneFix.
Fonte: Alentrium
foto: Jornal Negócios


