Trinta anos depois da vitória no contrarrelógio individual, que redundaria no triunfo na Volta ao Alentejo, do penta-vencedor do Tour de França Miguel Indurain (Banesto), Sines recebe no próximo dia 25, a partida da 43ª edição da “Alentejana”, o que sucede pela terceira vez no historial da prova.
Uma das grandes novidades é o facto da corrida ter transmissão televisiva em direto na RTP2. As três primeiras etapas poderão ser vistas a partir das 15h00. O direto da quarta etapa começa às 13h30. A última é emitida a partir das 14h30.
A edição de 1996 ficou marcada pela entrada da Volta ao Alentejo no calendário da União Ciclista Internacional (UCI) face à presença de Indurain e também pela estreia da bicicleta “Espada”, criada para que o corredor espanhol se sagrasse Campeão Olímpico de Contrarrelógio, nos Jogos de Atlanta, nos Estados Unidos, três meses depois de triunfar no Alentejo. Também a equipa mais antiga do pelotão mundial, o Clube de Ciclismo de Tavira, que na data atravessa uma crise financeira, foi bafejado pela sorte, já que chegou à corrida como convidado da organização e saiu com o patrocínio da Recer.
Depois de muitos anos em que prova foi organizada pela Associação de Municípios do Distrito de Évora (AMDE), depois de 2000 pela PAD e Lagos Sport e entre 2010 e 2025 pela Podium Events, num novo protocolo entre a proprietária da corrida, a CIMAC-Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, permite que a Federação Portuguesa de Ciclismo na estrada, entre 25 e 29 de março, mais uma edição da Volta ao Alentejo.
Com início em Sines, cidade conhecida como a “Varanda do Oceano”, a prova percorre durante cinco dias um total de 674,2 quilómetros, a mais curta de sempre da “Alentejana”, com exceção da edição de 2010, que teve somente quatro etapas, incluindo um contrarrelógio. É também aquela que percorre menos municípios, 25 dos 47 da Região Alentejo.
Évora, cidade Património da Humanidade e a não menos imponente Praça do Giraldo, recebe o final da prova, o que sucede pela 35ª vez em 43 edições.
O castelo de Montemor-o-Novo volta a ser cenário do final de uma etapa, onde em 2016, Enric Mas, agora corredor da Movistar, venceu e cimentou a candidatura final ao triunfo da prova o que veio a concretizar-se. Chegada mítica em 2000, descoberta pelo então diretor da organização, Alfredo Barroso, presidente da AMDE e da Câmara do Redondo, a subida das Antenas da RTP, na Serra de São Mamede, em Portalegre, será a tirada rainha da “Alentejana”. Reza a história que o dinamarquês Claus Moller (Milaneza/ MSS) triunfou naquele local e, onde os corredores subiram aquela “parede” de um canto ao outro da estrada.
Destaque para o contrarrelógio individual (CRI) a realizar a meio na prova com partida e chega no Crato, com um total de 23,2 quilómetros, o mais longo desde 2008 que se disputou no concelho de Beja e que teve 31 quilómetros. A luta contra o crono pode ditar muito do que será a classificação geral final da corrida.
A prova terá oito metas volantes e seis contagens do prémio da montanha, com destaque para os finais de Montemor, de 2ª categoria e da Serra de São Mamede, de 1ª categoria.
Depois das vitórias nas etapas de Grândola e Évora no ano passado, a UAE/ Team Emirates/ Gen Z, equipa de formação do esquadrão de João Almeida, Tadej Pogacar e Isaac del Toro, regressa ao Alentejo com o objetivo que conquistar a “Alentejana”.
O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, nova entidade organizadora da prova sustentou que “é uma corrida mítica do ciclismo português e um veículo promocional da região. Com todos os parceiros vamos fazer uma corrida que seja um orgulho de todos os alentejanos”, ressalvou Cândido Barbosa.
Por seu turno Ezequiel Mosquera, o diretor da Organização “defendeu que era “uma corrida com muitas dificuldades e com a perspetiva de mudança de camisola amarela todos os dias. As chegadas a Montemor-o-Novo e às Antenas de Portalegre são capitais, mas o contrarrelógio do Crato arrumará a classificação e os pretendentes à vitória final”, concluiu.
Etapas
1ª (25 de março)- Sines-Almodôvar- 173,7 kms, 2ª (26 de março)- Ferreira do Alentejo- Montemor-o-Novo- 160,9 kms, 3ª etapa (27 de março)- Crato- Crato- 23,2 kms (CRI), 4ª (28 de março)- Vila Viçosa- Portalegre Serra de São Mamede/ Antenas)- 153,3 kms e 5ª (29 de março)- Moura- Évora- 163,1 kms.
Equipas presentes (20)
UCI Continental Teams-Portuguesas (9): Anicolor/ Campicarn, Aviludo/ Louletano/ Loulé Concelho, Credibom/ LA Alumínios/ Marcos Car, Efapel Cycling, Feira dos Sofás/ Boavista, GI Group Holding/ Simoldes/ Oliveirense, Óbidos Cycling Team, Tavfer/ Ovos Matinados/ Mortágua e Team Tavira/ Crédito Agrícola, UCI Continental Teams-Estrangeiras (4): EF Education/ Aevolo (USA), UAE/ Team Emirates/ Gen Z (UAE), Movistar Team Academy (ESP) e NSN Development Team (SUI), Equipas de Clube-Portuguesas (4): Earth Consulters/ Maia/ Frutas Monte Cristo, Inovocorte, Santa Maria da Feira/ Moreira/ Bolflex/ E.Leclerc e Porminho Team Sub23 e Equipas de Clube-Estrangeiras (3): High Level/ GSport/ Grupo Tormo, Cortizo/ Clube Cicista Padrones e Caja Rural/ Alea (todas de Espanha).
A estatística da Volta ao Alentejo mostra que há um empate entre vitórias individuais entre corredores portugueses e espanhóis, 14 vitórias para cada uma das nações. Será que um português pode voltar a dar a supremacia aos corredores lusos?. A última vitória de um português aconteceu em 2019, a edição antes da pandemia, que levou à suspensão de 2020.
Afonso Silva (Team Tavira/ Crédito Agrícola), que celebra 26 anos no próximo domingo, natural de Odemira, é a grande esperança de poder tornar-se no primeiro alentejano a vencer a prova.
Teixeira Correia
(jornalista)



