Filho de uma figura histórica de Beja, a Dona Benvinda, Eddie Branquinho era detetive da Polícia de Newark, em New Jersey, integrou os primeiros grupos de bombeiros e polícias que entraram nas Torres Gémeas.
Hoje passam 25 anos sobre esse triste acontecimento mundial e para homenagear Eddie Branquinho recuperamos uma entrevista concedida ao JN quando passavam 10 anos sobre a efeméride.
Há uma imagem que Eddie Branquinho não apaga da memória. “Havia uma mão, que retirámos (dos escombros), ainda a segurar uma fotografia”. Talvez seja por ter vivido tão intensamente aquele cenário de restos de vidas abruptamente interrompidas que, para o detetive português da Polícia de Newark, em New Jersey, o 11 de Setembro de 2001 “não foi há dez anos. Para mim, foi ontem”.
Eddie, agora na reforma, integrou os primeiros grupos de bombeiros e polícias que no dia seguinte aos atentados terroristas em Nova Iorque procuraram sobreviventes nos escombros das Torres Gémeas. “Não se via ali ninguém a trabalhar que não tivesse uma lágrima no olho”, diz o ex-polícia numa entrevista ao JN via Skype.
“Todos nós”, acrescenta, “podíamos trabalhar como heróis, mas todos nos sentíamos tão pequeninos como qualquer ser humano se sentiria perante uma situação inimaginável como aquela”. Trabalhar até ao limite no meio de tantas e tantas toneladas de escombros “afeta psicologicamente uma pessoa”, nota o ex–sargento que recorda “os pedaços de corpos, os braços que não se sabia de quem eram, os documentos espalhados”.
Pai de dois filhos (em junho de 2020, Marco Branquinho, filho de Eddie, enfermeiro luso-americano que vivia na Flórida, morreu na quinta-feira, na sequência de uma infeção num dos dentes do siso. O jovem de 26 anos estava em coma depois de um “episódio cardíaco” que decorreu durante um tratamento dentário), Eddie refugia-se agora na tranquilidade do golfe, que tenta praticar todos os dias, sem perder de vista aquele dia “tão arrasador que nunca deve ser esquecido”.
O outro lado do “Filho da Benvinda”
Eddie Branquinho nasceu em Beja, há 70 anos e reformou-se como sargento detective da Polícia de Newark, em New Jersey; enquanto morador no ‘Estado Jardim’, foi igualmente eleito para o Comité escolar na cidade de Elizabeth. Após a reforma, em agosto de 2010 mudou-se para a Flórida, radicando-se em Palm Coast.
Branquinho fez história ao tornar-se no primeiro português de que há registo a ser eleito vereador no ‘Sunshine State’ e a chegar ao posto de vice-‘mayor’. No dia 17 de novembro de 2020 foi nomeado para o cargo e reconduzido um ano depois, Branquinho assumiu o cargo até Novembro de 2022.
Teixeira Correia
(jornalista)


