António Beldroegas, de 67 anos, vai ser julgado por um crime de homicídio simples agravado pelo uso de uma arma de fogo e arrisca uma pena entre os 10 anos e 8 meses e os 21 anos e 4 meses.
Em causa está a morte de Valdemar Matoso, de 54 anos, ocorrida na tarde de 6 de novembro do ano passado num terreno de uma propriedade localizado, em Baleizão, concelho de Beja.
De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público (MP) de Beja a que o Lidador Notícias teve acesso, o crime ocorreu na sequência de uma discussão entre a vítima e o arguido, conhecido como “Pantorrinhas”, por causa da apascentação dos seus rebanhos na propriedade de uma terceira pessoa, a que este último se considerava com direito por já ter iniciado negociações com o dono do terreno para adquirir o mesmo.
A discussão entre os dois homens subiu de tom e depois do dono do terreno, que fora chamado ao local, ter dito aos desavindos para se entenderem, o arguido não gostou da conversa, meteu-se na sua carrinha foi a casa, trouxe uma caçadeira e ao chegar ao local abateu Valdemar com dois tiros. O primeiro disparo atingiu a vítima no braço esquerdo que rodou e ficou de costas para o arguido, que efetuou novo disparo atingindo-o mortalmente.
“Pantorrinhas” abandonou o local na viatura, dirigiu-se à residência, tendo depois sido levado por um familiar ao posto da GNR de Beja, onde se entregou, tendo depois passado para a alçada da Polícia Judiciária de Faro.
Nesse mesmo dia, a Polícia Judiciária procedeu à apreensão de uma arma caçadeira de marca Pietro Beretta, um cartucho deflagrado de chumbo 8, e um cartucho deflagrado, de chumbo 5, no interior do veículo automóvel conduzido pelo arguido.
Valdemar Matoso, era casado, pai de dois filhos, estava ligado à construção civil, mas em março de 2024 tinha adquirido um rebanho de ovinos e uma propriedade rural em Baleizão, atividade a que se dedicava nas horas vagas, próxima da que pertencia ao arguido e do terreno para onde ambos levavam os seus animais.
António Beldroegas encontra-se sujeito à medida de coação de prisão preventiva desde 8 de novembro de 2024, tendo dado entrada no Estabelecimento Prisional (EP) de Beja, mas, por questões de segurança, foi no dia seguinte transferido para o EP de Faro, onde aguarda julgamento.
No dia em que foi presente a primeiro interrogatório a um Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Beja, cerca de uma dezena de familiares da vítima aguardaram a saída do homicida para fazerem justiça pelas próprias mãos. Valeu a intervenção dos três inspetores da PJ que evitaram as agressões, tendo a viatura da polícia, que ainda foi alvo da ira dos populares, arrancado do local a grande velocidade, já com o preso no seu interior.
Teixeira Correia
(jornalista)


