Falcões Negros: Os heróis da noite nos saltos de sábado em Beja.


É um espetáculo raro, saltos noturnos de paraquedistas, mas nas celebrações dos 70 anos da Força Aérea, os céus estrelados de Beja, puderam assistir à competência e destreza de “Os Falcões Negros”.

Sete militares, paraquedistas pertencentes à Equipa de Queda Livre do Exercito “Os Falcões Negros”, equipados com sistemas PARAFOIL 2000 e STILLETO 150, transportando consigo três fitas e bandeiras da FAP e a Nacional.

A equipa de queda livre do exército, denominada de “Os Falcões Negros”, eram inicialmente militares paraquedistas com a qualificação de Salto de Abertura Manual, oriundos dos batalhões de caçadores paraquedistas, que se reuniam com o único propósito de treinar a atividade de paraquedismo, saltando em queda livre. No início não detinham qualquer designação que a distinguisse. Mais tarde seria adotado um falcão como logotipo da equipa e, posteriormente, a designação de “Falcões Negros” que ainda hoje ostentam.

Inicialmente constituída como equipa militar de demonstração passou, a partir de 1964, a participar igualmente em competições de paraquedismo. Atualmente esta equipa encontra-se sediada no Regimento de Paraquedistas e é constituída por 10 militares da unidade.

No sábado ss fitas brancas e azuis (cores da FAP) foram transportadas pelo SAj Paraquedista Vitor Correia e SCh Paraquedista Pedro Matos, as fitas verdes e vermelhas pelo Cap Paraquedista Diogo Matias (à esquerda na foto), a bandeira do nacional feita de fumos pelo SAj Paraquedista Paulo Lima, a bandeira da FAP pelo 1Sarg Paraquedista João Jesus, a bandeira dos 70 Anos da FAP pelo 1Sarg Paraquedista José Barros e a bandeira Nacional pelo SAj Paraquedista Jorge Farfalha (à direita na foto).

Equipa de Pára-quedismo Militar “FALCÕES NEGROS” (1964 – 2022)

Texto do General Paraquedista na Reserva Carlos Perestrelo (*)

Falar dos “nossos” FALCÕES NEGROS é enaltecer o imaginário das maravilhas que se fazem nos céus de Portugal. Eles têm um notável historial de quase 60 anos… No ano de 1964, foram criados no seio das Tropas Pára-quedistas Portuguesas para representarem as cores nacionais no primeiro campeonato internacional do CISM (Comité International pour le Sport Militaire).

Ao longo dos anos muitos representaram esta equipa militar em competições e demonstrações e foram conquistando inúmeros títulos nacionais e internacionais que nos enchem de orgulho e enriqueceram o espólio de troféus do Museu das Tropas Páraquedistas, em Tancos.

Com os “Boinas Verdes” integrados na Força Aérea Portuguesa (FAP) até 1994, os “Falcões Negros” tiveram 30 anos com períodos de grande evolução, fundamentalmente pela regularidade com que faziam os saltos de treino que lhes permitiram atingir níveis de proficiência excepcional e que os levaram a estabelecer recordes que os notabilizaram além fronteiras.

Não me recordo de Festivais Aéreos sem “Falcões Negros”!

Abrilhantar os céus, de preferência azuis, com lindos paraquedas coloridos, fumos ou bandeiras tornou-se uma rotina desde a sua criação.

Quem não se lembra dos saltos dos páraquedistas, quer tenham sido diurnos ou nocturnos, nos grandiosos estádios de futebol, nas grandes festividades militares ou mesmo nas cerimónias do “Dia de Portugal”.

Eu próprio, realizei várias demonstrações integrando a equipa dos “Falcões Negros” em grandes eventos desportivos e até nas celebrações dos 50 anos da Força Aérea Portuguesa, em 2002, neste mesmo cenário de Beja, onde este ano 2022, fomos presenteados com magníficas exibições.

Nos últimos anos os “Falcões Negros”, adaptaram-se aos constrangimentos destes tempos modernos, mas não deixaram de inovar e continuarem a ser a fantástica equipa que merece os mais rasgados elogios de todos nós. Beja foi neste festival comemorativo dos 70 anos da nossa Força Aérea, brindada com uma inédita e magnífica demostração de saltos nocturnos onde os “Falcões Negros” voaram iluminados por artifícios pirotécnicos que mais pareciam cometas e onde uma bandeira de grandes dimensões refletia o efeito dos “Led” com um majestoso “70”.

Gente ousada de grande dedicação que, pelo serviço que continuam a prestar, evidenciando dinamismo, competência e rigor são um activo extremamente relevante na divulgação das Tropas Páraquedistas e do exemplo que se pretende para as Forças Armadas de Portugal.

Beja e Portugal, agradecem os extraordinários serviços prestados pelos “Falcões Negros”

(*) O General na Reserva Carlos Perestrelo é o último oficial-general paraquedista a usar a “Boina Verde”. Natural de Portalegre, é filho de alentejanos. O pai, Jerónimo Perestrelo, nasceu em Figueira e Barros, concelho de Avis e a mãe e parte da família são de Castelo de Vide. Como o avô era Diretor de escola/Professor os tios, irmãos do pai, foram nascendo por onde ele andava (Estremoz, Sousel, Fronteira, Portalegre, etc). Carlos Perestrelo tem uma forte costela aeronáutica pois o pai, que esta terça-feira cumpre 90 anos, foi um consagrado aviador da FAP desde 1952 (ano da criação).


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