Os cinco aviões A-29N Super Tucano que a Força Aérea Portuguesa (FAP) recebeu, ao abrigo de um contrato de aquisição do Governo adquiriu à empresa brasileira Embraer, não estão a voar.
À chegada do Brasil à OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal, em Alverca, a quinta aeronave apresentava um problema técnico, que foi preciso resolver, que evitou a sua transferência para a Base Aérea 11 (BA11), em Beja e as restantes quatro aguardam que pilotos e mecânicos terminem a formação.
As cinco aeronaves fazem parte de um lote de doze que o Governo de Portugal contratualizou com a Embraer em finais de 2024, num investimento que ronda os 200 milhões de euros e, cujas três primeiras unidades chegaram a Alverca a 2 de setembro do ano passado e dois meses depois aterraram em solo luso as outras duas aeronaves.
Depois de chegarem às OGMA, as aeronaves são sujeitas a uma reconfiguração para os padrões e especificações estabelecidos pelas alianças das quais Portugal faz parte, nomeadamente a NATO, Nações Unidas e União Europeia. Este procedimento é semelhante ao que foi feito nas aeronaves KC-390, também produzidas pela brasileira Embraer e que estão ao serviço da FAP.
Em meados de dezembro do ano passado, as instalações da OGMA, receberam a cerimónia de entrega dos Super Tucano a Portugal, na presença do Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General João Cartaxo Alves.
No dia seguinte as cinco aeronaves deveriam ter voado para a BA11, que passarão a ter na Esquadra 101-“Roncos” a sua “casa mãe”. No entanto, o Lidador Notícias (LN) apurou que somente quatro dos aviões chegaram a Beja, como atestam fotos da Força Aérea após a aterragem na pista da unidade baixo-alentejana.
Questionada a Força Aérea sobre quais as razões que a quinta aeronave ainda não tinha chegado à BA11, o Gabinete de Relações Pública da FAP justificou que a mesma “apresentou uma questão técnica que exigiu resolução antes do voo para a Base Aérea N.º 11, pelo que não integrou o movimento em conjunto com as restantes aeronaves”, não aclarando de tipo de problema técnico apresentava.
Quantos às restantes quatro aeronaves que já estão na unidade alentejana e ainda não voam, a FAP justificou que “os militares da Força Aérea nomeados para operar a aeronave estão atualmente em fase de treino de pilotos e mecânicos no Brasil, seguindo-se posteriormente a fase de voos em solo nacional”, concluiu. O LN questionou ainda se desde o Brasil para as OGMA e de Alverca para Beja as aeronaves tinham sido pilotadas por militares portugueses, foi revelado que “os movimentos foram sempre feitos por pilotos da Embraer”.
Quanto ao facto do voo entre as OGMA e a Base Aérea N.º 11 ter sido realizado com matrículas civis, a Força Aérea justificou que “do ponto de vista contratual, o momento da transferência de propriedade ocorreu na BA11. Após a chegada a Beja foram substituídas por matrículas militares”, resumiram.
Os A-29N Super Tucano não foram as primeiras aeronaves adquiridas à Embraer, já que em 2019, Portugal acordou adquirir cinco aeronaves KC-390 e um simulador, tendo já sido entregues três, com o objetivo de substituir os Hercules C-130, por um valor de 850 milhões de euros.
Aquando da cerimónia de entrega das primeiras cinco aeronaves A-29N Super Tucano, o Governo e Embraer assinaram uma carta de intenção para abrir fábrica daqueles aviões em Beja.
No penúltimo dia do ano passado, o Estado-Maior da Força Aérea lançou um concurso público para a construção de um edifício destinado à Esquadra de Voo do sistema de armas A-29N, a implantar na Base Aérea n.º 11, em Beja. O procedimento tem um preço base de 2,85 milhões de euros, sem IVA, e um prazo de execução de 420 dias.
Aquisição
O Conselho de Ministros 12 de dezembro de 2024, aprovou uma resolução em que “investe cerca de 200 milhões de euros na aquisição de doze aeronaves A-29N Super Tucano, simulador de voo e bens e serviços de sustentação logística, à Embraer, S.A”.
Características
Os A-29N Super Tucano adquiridos à Embraer destinam-se à formação avançada de pilotagem e missões de apoio aéreo próximo para operações conjuntas e ou combinadas.
Esquadra
As aeronaves brasileiras vão integrar a Esquadra 101-“Roncos”, da Base Aérea N.º 11, em Beja, uma subunidade de Instrução Elementar e Básica da FAP, que desde 1989 utiliza as aeronaves de fabrico francês, EPSILON TB-30.
Teixeira Correia
(jornalista)


