A Procuradora do Ministério Público (MP) do Tribunal de Beja, pediu na tarde de quinta-feira a condenação de Sanches Cardas, de 68 anos, e Orlando Cardas, de 35 anos, pelo crime de homicídio qualificado agravado de António Cardas, de 40 anos, filho e irmão dos arguidos. A este crime junta-se o pedido de condenação da posse de arma proibida.
A magistrada defendeu que os dois homens tiveram uma “atuação conjunta e concertada” acrescentando que o pai “fez voluntária e intencionalmente um disparo a curta distância, incentivado pelo filho”, justificando que houve “insensibilidade pelo valor da vida humana”, rematou.
A Procuradora deixou em aberto a possibilidade de Orlando ser condenado pelo crime de homicídio simples, não tendo abordado a condenação deste pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada e ameaça agravada, de que também estava acusado.
Pedro Pestana, advogado de defesa de Sanches Cardas, começou as suas alegações lembrando a frase do seu cliente que resume o seu estado de espírito: “o pai que mata o filho não deve ser preso, mas sim enforcado”, justificando que antes de disparar o seu cliente “apontou a arma a todos os que estavam no local e não diretamente para o filho”, concluiu.
Por seu turno o defensor de Orlando considerou que a justiça deve ser feita com base de que o seu cliente “não praticou os factos apontados na acusação. Não teve a arma na sua posse e não disparou”, concluiu.
Recorde-se que tudo aconteceu na manhã de 10 de junho do ano passado com uma discussão motivada pela compra e venda de um animal, que rapidamente degenerou em atos de violência envolvendo diversos familiares da família Cardas que culminaram na morte de António, no acampamento do Baldio das Ferrarias, em Amareleja, concelho de Moura, às mãos do pai que fez um disparo de caçadeira a curta distância.
A leitura do acórdão ficou agendado para a próxima terça-feira a partir das 11,00 horas no Tribunal de Beja.
Teixeira Correia
(jornalista)


